Esse poeminha do meu poeta maior me encheu os olhos de lágrimas na primeira vez que o li. Não sei, deve ter sido um dia de sentimentalidade em alta, de alguma sintonia oculta com o que há de mistério e revelação por entre os versos. Coisas que eu não sei entender, que fogem a explicações... que são, talvez, além da terra... além do céu...
Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.
Carlos Drummond de Andrade
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