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domingo, abril 10

Congresso Internacional do Medo

Tomo as palavras de Drummond para expressar o sentimento que paira em todo o país após o lamentável ocorrido do Rio de Janeiro na semana que passou. Cantemos, provisoriamente, o medo; porque, em muitos corações, o amor está refugiado muito abaixo dos subterrâneos.

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.


Carlos Drummond de Andrade

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