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sábado, setembro 26

Um ano de saudade

Setembro era meu segundo mês preferido. Acho que pelo fato de ser a chegada da primavera, estação que traz ares renovados e serenos, depois do sombrio inverno. Mas, em 2014, eu tive uma primavera às avessas. Foi justamente no mês das flores que a flor-rainha do meu jardim me deixou.
Como foi difícil esse ano sem a presença física de minha mãe. Uma saudade imensa! É desolador olhar para os lados e não mais ver, não escutar mais a voz, os passos na casa, não poder mais beijar e apertar como era rotineiro. Já falei exaustivamente da minha dor, da minha revolta, dos questionamentos que ficaram, já briguei com a vida, chamei-a injusta, cruel, feia... Andei em conflito até com Deus. Mas com Ele não dá pra ficar de mal por muito tempo. Pra onde ir, o que fazer, como viver sem Ele? Desisti de tentar entender. É mistério demais para minha lógica humana.
É certo que as coisas não estavam fáceis pra ela por aqui. Enfrentou tantas chuvas, ventanias... Fazia inverno. A vida poderia, portanto, ter sido bem mais legal com minha mãe, permitindo que ela ficasse um pouco mais conosco para ter motivos de sorrir e ser feliz, depois de tantas tempestades. Mas não foi como eu quis. Ela partiu tão breve quanto cruelmente.
Agora ela está em outro plano, e sei que carregarei essa saudade até quando eu parar de respirar. Desejo profundamente que o lado de lá esteja infinitamente melhor que aqui. No plano superior (de onde deve dar pra ver a lua nova bem de perto), certamente não há dores, nem preocupações, nem remédios e horários. Que estejas vivendo agora uma primavera sem fim.
Esteja feliz, mainha!

365 dias

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