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segunda-feira, março 28

Confissão à primeira Lua Cheia do outono

É noite, e estás plena.
Senhora e majestade do céu pontilhado de luz.
Daqui te vejo, só e despida. Serva, súdita, sem lume, vazia.
Nas mãos, feridas; nos pés, poeira; no peito, desejo; nos olhos, clamor:
- Que eu um dia plena te veja, Lua primeira. Que veja em tua luz a minha a cintilar. Na tua majestade a do meu peito trono. Na tua beleza a dos meus passos. Não mais seja contraste a nossa condição. Vede, Lua primeira, quanta graça, quanto encanto trazes. E como nos parece prazenteira. Vede pois que não sois só, ó Lua inteira, mas sois de todo do rei astro hospedeira, receptora de real grandeza. Quero ser como tu, ó Lua,
inteira.

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