Segundo domingo de maio e os meus olhos estão cheios de nuvens.
Na minha casa não tem mãe. Não tenho, nem sou. Logo, um domingo quase comum. Estou aqui observando ao redor as homenagens em carros de som, as mensagens nas redes sociais em forma de textos e imagens de mães e filhos como flores para elas, que tanto são essenciais. Observo também mães sendo visitadas por filhos que cumprem nesse dia o ritual de fazer-se presentes para alguns minutos de conversa. Quiçá um abraço ou um presente.
Enquanto observo, a memória traz-me lembranças do cotidiano ao lado da minha inseparável mãe. O mês de maio, sem dúvidas, faz os órfãos de mãe sentirem-se mais órfãos que de costume, porque os corações vermelhos que decoram todos os cantos nos recordam que em nosso ser pulsa doído esse amor essencial que se apartou; esse cordão umbilical doloridamente cortado.
As nuvens dos meus olhos deságuam ao ver o filho abraçar sua mãe. Como que contemplando a mais perfeita das experiências de amor humano; ao alcance da visão, o encontro fundamental, visceral, imortal, com a moldura de um abraço que se chama Felicidade.
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