Quando se olha, só se vê seu rosto, inexpressivo ou cansado; seus passos, apressados ou incrédulos; seu olhar, solar ou nublado.
Ninguém pode saber em quais mares deságuam os rios alheios.
Perpétuo silêncio.
Ela ajunta guarnição e víveres. Tece dia e noite: não canta. Planta e rega.
Possui um jardim?
...
No quintal de sua alma, um cemitério de sonhos, mortos tragicamente.
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quarta-feira, fevereiro 28
segunda-feira, fevereiro 19
Enterro póstumo
Tinha cheiro de flor viçosa que balança à brisa fresca logo após o rebento. Embelezava as manhãs e enchia de vida as tardes.
Um dia foi colhida para pôr-se ao pé de um defunto. Ali, não perfumou.
Caiu em terra seca por entre pedras. Foi pisada, chutada, atropelada e perdeu algumas pétalas. Amarelou-se, murchou.
Capturada, ganhou um vaso, água e brisa. Entanto, não rebenta. Não embeleza as manhãs, nem enche de vida as tardes.
Aguarda, sem viço, o dia em que lhe joguem terra.
Um dia foi colhida para pôr-se ao pé de um defunto. Ali, não perfumou.
Caiu em terra seca por entre pedras. Foi pisada, chutada, atropelada e perdeu algumas pétalas. Amarelou-se, murchou.
Capturada, ganhou um vaso, água e brisa. Entanto, não rebenta. Não embeleza as manhãs, nem enche de vida as tardes.
Aguarda, sem viço, o dia em que lhe joguem terra.
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