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domingo, junho 24

De estrangeiros e bagagens

Mire-o.
Ei-lo a espreitar a rua, estrangeiro e só. Vigilante dos próprios passos, caminha vacilante: pés cansados, olhos brilhantes, ouvidos atentos. Pergunta informação a nativo transeunte de destino seguro para repousar a bagagem, mas não se fez comunicação - a língua estranha.
Como chegara a terra distante não responde o "sem lugar". Memória tinha, e vestes limpas. Adentra um bar, pessoas risonhas a comer e beber seriam boas informantes, cogitou, Mas, distraídas, sequer notaram a presença do semelhante. "Há, neste solo, sorrisos e amigos", pensou, animando-se, contagiado pelo vivo cenário de celebração da vida. Observa-os por mais alguns instantes e sai, novamente a perambular. Ao longe, um senhor uniformizado espreita, por ofício, o cotidiano da população. Caminha em direção deste, esperançoso. Lê no olhar do senhor de uniforme confusão e desconfiança diante do estranho. Com gestos e mímicas comunica, enfim, ao guarda o seu desejo: lugar seguro para repousar a bagagem. Não respondendo de imediato, quis o guarda saber informação detalhada de procedência sua para lugar distante. Poucos minutos de contato gestual e despediram-se a sorrir com cumprimentos de amistosa familiaridade. Segue o estrangeiro o caminho indicado pelo de uniforme.
Levou algum tempo para entender que fora conduzido a penitenciária com ordem de prisão e tortura. Não mais teria notícias do paradeiro de sua bagagem.