E nestes dias em que se celebra o amor,corações, beijos e abraços esparramados por todos os lados, vou deixar um trechinho da escritora portuguesa Inês Pedrosa, do romance que analisei na minha dissertação de Mestrado. No trecho, a personagem Ana Lúcia escreve a Afonso, que acabara de perder a filha pequena. Meditando sobre a relação vida x morte, ela reflete sobre a natureza do amor. Inevitável esse entrecruzamento...
É, na minha opinião, a página mais bonita do livro.
"(...). O amor é eterno como as estrelas. Não sabemos nada das estrelas, como não sabemos nada do amor. Muitas vezes encontramos no brilho distante de uma estrela a coragem necessária para atravessar noites de excessiva treva. Sussurramos desejos às estrelas cadentes e confiamos as lágrimas à beleza de um céu estrelado. Precisamos da tristeza para aprender a olhar para o céu. Não falo do céu metafísico, do céu povoado de deuses vingadores, desse céu demasiado terreno que, ao longo dos séculos, tem construído uma história de horror e guerra. Não falo do céu dos fiéis e infiéis, do céu que ergue fogueiras e cadafalsos, que inventa infernos e torturas, que se despenha em aviões sobre a humanidade. Falo do céu que existe sobre as nossas cabeças demasiado ocupadas a engravatar a terra. Das estrelas que vivem e morrem sem que o saibamos, e que nos iluminam, se soubermos olhar para elas como se fossem sempre a mesma, a estrela inicial. É assim a eternidade do amor - indiferente à vida e à morte, capaz de sobreviver à pequena cronologia da vida. Capaz, acima de tudo, de fazer da semivida presunçosa em que tantas vezes nos enredamos, uma vida verdadeira, voltada à única coisa que interessa - o amor.
Temos o privilégio de nos sabermos mortais. O que fazemos desse privilégio? Em geral, fugimos dele, apavorados. Refugiamo-nos nas aparências do tempo, fazemos contas à vida. A morte de um jovem é uma afronta a essa nossa contabilidade estéril. As nossas vidas seriam muito diferentes, se acordássemos para cada dia como se fosse o único. Quantas vezes repetimos: 'Temos tempo'? Quantas horas ocupamos a complicar as vidas dos outros, em vez de simplificarmos a nossa?
Temos medo. O medo é o maior assassino; conduz-nos a subterfúgios infra-humanos. O medo criou os deuses do extermínio e da vingança, porque a sua natureza cobarde leva-o a viver de desculpas e a sacudir a responsabilidade. Quantas pessoas não se dizem 'demasiado sensíveis' para ir a um hospital e acarinhar um doente terminal, ou para ir a um velório abraçar os que acabaram de perder uma parte de si? A doença e a morte confrontam-nos com a mortal mesquinhez desta 'sensibilidade' - e convocam-nos para uma outra forma de vida, eterna como a valentia e a bondade humanas, que são uma e a mesma coisa.
Repetimos que a fé é, face à morte, o maior lenitivo. Mas que é a fé verdadeira senão o absoluto do Amor? O Amor é o verdadeiro rosto de Deus." (...)
In: Os íntimos, 2010, p. 67, 68.
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sábado, junho 13
quarta-feira, abril 22
De um acaso
O caso é que o acaso às vezes não dá conta do recado
e fica a deixa de pensar que foi simples, mero acaso.
Tudo que eu queria era o acorde perfeito, maior,
mas como custa acreditar que possa haver harmonia em tanto descompasso.
e fica a deixa de pensar que foi simples, mero acaso.
Tudo que eu queria era o acorde perfeito, maior,
mas como custa acreditar que possa haver harmonia em tanto descompasso.
quinta-feira, abril 16
Elegia 3
"É preciso ser valente para entender um Deus
que nos leva de repente a mesma vida que deu
que plantou essa semente e com a própria mão colheu
É preciso ser valente pra aceitar sua vontade
mesmo quando dói na gente, rouba a nossa mocidade
ontem estava aqui presente, hoje já virou saudade"
...
(200 dias).
que nos leva de repente a mesma vida que deu
que plantou essa semente e com a própria mão colheu
É preciso ser valente pra aceitar sua vontade
mesmo quando dói na gente, rouba a nossa mocidade
ontem estava aqui presente, hoje já virou saudade"
...
(200 dias).
domingo, abril 12
Texto de Nara Rúbia Ribeiro
Eu andava querendo dizer justamente essas coisas, mas uma certa Nara Rúbia Ribeiro, com cuja escrita tenho entrado em contato nos últimos dias (e que, assinale-se, tem dito coisas muito acertadas e de maneira muito feliz), escreveu antes de mim. Segue, na íntegra, o belíssimo pensamento da autora. Me representa.
A arte do desapego
Muitos vivenciam o amor como um rasgo a que a alma se submete intencionalmente para exigir que a mão do amado a costure. O problema é que a mão do outro nem sempre está disponível para esse trabalho: a alma sangra, dói, e os rasgos se expandem… A dor, quando bem resolvida, pode ser um prenúncio de beleza. Mas, para que o belo de fato advenha, é preciso viver a dor, senti-la, tocá-la, integrar-se a ela, e transmutá-la, sabedores de que o vivenciar a dor também é parte do exercício de amor.
Já tive muitos castelos desmoronados na poeira dos dias. Quem não os teve? E a dor, nesse caso, é inevitável. Em nossa alma aprendiz, amar é desejar estar ao lado do outro, dentro do outro. É querer ser o outro sem sair de si mesmo. É construir uma redoma de sonho e ali inserir o amado, sob a eterna e vigilante proteção dos nossos olhos. E queremos que o outro caiba exatamente no nosso sonho e viva o nosso projeto de existência. Que ele esteja no cenário que construímos e encene o papel que lhe escrevemos.
E, num repente, algum novo vento nos sopra e mostra que o outro não é exatamente o aquele a quem julgamos amar. Percebemos que ele tem segredos e mistérios maiores que pensávamos e ficamos perplexos ao perceber que ele tem caminhos traçados e que quer percorrê-los, muitas vezes, sem nós. Perdemos a voz ao saber que a alma do outro é hóspede e hospedeira de outras almas. E as nossas pernas tremem ao constatar que a redoma era ilusão. Que todo o castelo de amor era ilusório. E a dor chega e castiga e fustiga a alma com cem mil acusações.
O que nos sangra, num momento como esse, é a obrigação de desamar. Mas será que isso existe? Os poetas, há muito, já apregoaram que o amor é sempre “para sempre”. Questionaremos as verdades poéticas? Banalizaremos o amor? Faremos dele um bibelô barato e quebrável destinado a adornar, por breves dias, as estantes da nossa alma?
Ocorre que somos ainda aprendizes da arte do eterno. O amor não reside senão no desejo da plenitude do outro. Ele não se esmera a não ser no respeito ao outro. Ele não pulsa a não ser para o querer o bem e sonha que o outro, pássaro livre em perfeição de voo, possa vislumbrar, dos cumes de si mesmo, os mais belos sentimentos e paisagens da terra.
E assim, quando o outro não mais deseja estar ao nosso lado, isso nos fere e sangra, mas o que nos massacra não é o outro. É desejo egoístico de aprisionar um espírito que também, assim como nós, tem sede de infinitos.
Tenho comigo que o que mais dói é a obrigatoriedade que nos impomos, quando o castelo desmorona, de desamar o outro. E embora talvez não o tenhamos amado de fato, fizemos um esboço de amor e é desorientador apagá-lo. Desamar é doloroso demais, porque o desfazimento do amor é contrário à nossa natureza etérea, espiritual, eterna.
Devemos, sim, exercitar o desapego; não o desamor. Desejar a liberdade, a integralidade, a plenitude do outro. Compreender que o que dói não é o amor não correspondido, mas a quebra das correntes (talvez até de ouro) com que tentávamos prender alguém. Apenas quando soubermos apreciar com encantamento a liberdade, seja ela nossa ou de um ser amado, teremos conhecido a face invisível e invencível de um amor verdadeiro.
E a alma, outrora rasgada, fará das cicatrizes uma arte emoldurada e rebordada de vida, na certeza de que toda a dor, bem lá no fundo, labora a nosso favor.
Goiânia, 01 de fevereiro e 2015.
A arte do desapego
Muitos vivenciam o amor como um rasgo a que a alma se submete intencionalmente para exigir que a mão do amado a costure. O problema é que a mão do outro nem sempre está disponível para esse trabalho: a alma sangra, dói, e os rasgos se expandem… A dor, quando bem resolvida, pode ser um prenúncio de beleza. Mas, para que o belo de fato advenha, é preciso viver a dor, senti-la, tocá-la, integrar-se a ela, e transmutá-la, sabedores de que o vivenciar a dor também é parte do exercício de amor.
Já tive muitos castelos desmoronados na poeira dos dias. Quem não os teve? E a dor, nesse caso, é inevitável. Em nossa alma aprendiz, amar é desejar estar ao lado do outro, dentro do outro. É querer ser o outro sem sair de si mesmo. É construir uma redoma de sonho e ali inserir o amado, sob a eterna e vigilante proteção dos nossos olhos. E queremos que o outro caiba exatamente no nosso sonho e viva o nosso projeto de existência. Que ele esteja no cenário que construímos e encene o papel que lhe escrevemos.
E, num repente, algum novo vento nos sopra e mostra que o outro não é exatamente o aquele a quem julgamos amar. Percebemos que ele tem segredos e mistérios maiores que pensávamos e ficamos perplexos ao perceber que ele tem caminhos traçados e que quer percorrê-los, muitas vezes, sem nós. Perdemos a voz ao saber que a alma do outro é hóspede e hospedeira de outras almas. E as nossas pernas tremem ao constatar que a redoma era ilusão. Que todo o castelo de amor era ilusório. E a dor chega e castiga e fustiga a alma com cem mil acusações.
O que nos sangra, num momento como esse, é a obrigação de desamar. Mas será que isso existe? Os poetas, há muito, já apregoaram que o amor é sempre “para sempre”. Questionaremos as verdades poéticas? Banalizaremos o amor? Faremos dele um bibelô barato e quebrável destinado a adornar, por breves dias, as estantes da nossa alma?
Ocorre que somos ainda aprendizes da arte do eterno. O amor não reside senão no desejo da plenitude do outro. Ele não se esmera a não ser no respeito ao outro. Ele não pulsa a não ser para o querer o bem e sonha que o outro, pássaro livre em perfeição de voo, possa vislumbrar, dos cumes de si mesmo, os mais belos sentimentos e paisagens da terra.
E assim, quando o outro não mais deseja estar ao nosso lado, isso nos fere e sangra, mas o que nos massacra não é o outro. É desejo egoístico de aprisionar um espírito que também, assim como nós, tem sede de infinitos.
Tenho comigo que o que mais dói é a obrigatoriedade que nos impomos, quando o castelo desmorona, de desamar o outro. E embora talvez não o tenhamos amado de fato, fizemos um esboço de amor e é desorientador apagá-lo. Desamar é doloroso demais, porque o desfazimento do amor é contrário à nossa natureza etérea, espiritual, eterna.
Devemos, sim, exercitar o desapego; não o desamor. Desejar a liberdade, a integralidade, a plenitude do outro. Compreender que o que dói não é o amor não correspondido, mas a quebra das correntes (talvez até de ouro) com que tentávamos prender alguém. Apenas quando soubermos apreciar com encantamento a liberdade, seja ela nossa ou de um ser amado, teremos conhecido a face invisível e invencível de um amor verdadeiro.
E a alma, outrora rasgada, fará das cicatrizes uma arte emoldurada e rebordada de vida, na certeza de que toda a dor, bem lá no fundo, labora a nosso favor.
Goiânia, 01 de fevereiro e 2015.
quarta-feira, abril 1
Do amor e outras farsas
Hoje é primeiro de abril, mas não é (simplesmente) por isso que vou escrever este texto. Na verdade essa ideia já anda me cutucando há alguns dias...
Observando alguns fatos e algumas histórias ao meu redor, estive refletindo com meus botões... acho que nunca se amou tanto como se ama hoje. Acho também que o amor nunca foi semente tão fácil de brotar nos corações das pessoas de todas as idades e cabeças. E se ama tanto e tão intensamente, que, de repente, todos adquirem aura de poeta. E a vida se cobre de um imenso esplendor, pois o encontro com aquele ser, agora amado, foi a coisa mais iluminada que poderia ter acontecido na vida do amante. Não importa que ambos estejam no começo da vida, no despontar da juventude, é certo que o amor vai durar para sempre. Como nos velhos e bons contos de fadas. (Só que não).
Se tem um elemento que contribuiu enormemente para o crescimento dessa "cultura do amor", é a popularização das redes sociais. Se antes se amava assim, amava-se em particular, hoje ama-se para o grande público. E, desconfio eu, ama-se em função do público. Por isso é tão comum desfilarem escarlates e mui graciosas as declarações do mais puro e sincero amor, juras de afeição eterna, fotos de felicidades com legendas de citações filosóficas e trechos de Buarque, Jobim ou quem mais que cante o amor e suas belezuras. Há os que, por algum motivo, preferem a discrição, optam por esconder-se por detrás destes últimos, não revelando, a priori, rostos nem nomes. Mas eu cá fico me perguntando... as sementes do amor baratearam mesmo ou estão comprando gato por lebre? O amor virou fenômeno endêmico ou passaram a chamar pelo nome dele a outras sensações e sintomas?
Não vou negar que vejo certa graça nesse movimento febril de ver todas as pessoas amando e sendo amadas. Mas uma pulga por detrás de minha orelha direita faz-me pensar que muito do que se vê não passa de mera... invenção. Isso mesmo! É compreensível, diante de tamanhas revoluções acontecendo em ritmo frenético que os indivíduos desejem preencher as lacunas dos seus dias com emoções. Tudo anda tão modernizado, digitalizado, facilitado, robotizado, que as pessoas sentem falta de sentir. E aí, sem saber, começam a brincar de sentir.
Que crianças hoje em dia brincam na rua de baleado, sete pedrinhas, pular corda, elástico, fita, melancia, chicotinho queimado ou organizam aniversário de boneca? (No meu caso eu poderia citar também aniversário de coelhos. Tive uma coelha cinza de nome extravagante, Hanna Shara, cujo aniversário de um ano foi festejado com bolo, bolas e um discreto painel onde continha seu nome com letras cortadas em papel camurça. Na comemoração, além das pessoas da casa, as crianças vizinhas). As adolescentes ainda reúnem-se para fazer cozinhados, fazerem rifa para comprarem o mais novo CD do artista preferido, depois para ouvir e cantar em alto e bom som as músicas novas do artista preferido? Já não se experimentam mais essas sensações. A infância já não tem gosto da poeira da rua nem o ar fresco dos banhos de chuva, muito menos o doce sabor da fruta tirada astuciosamente do pé. E a adolescência deixou de ser a transição entre a infância e a idade adulta: foi suprimida. Aos doze anos vive-se e ama-se como se já tivesse dezesseis. E aos dezessete então... imagina-se já se ter atingido o ápice da experiência e da sabedoria da vida!
Quanta ilusão!
Pois bem, tanto tornou-se fácil o amar, como rápido o desamar. E aí, como explicar o paradoxo? Fico só observando como as pessoas têm facilidade de encontrar o grande amor de suas vidas, e estupefata da capacidade de o encontrarem várias vezes na vida! Chego a sentir-me injustiçada, pequena, desmoralizada, inferior mesmo! Eu que já conto uma boa quantia de verões e duvido ter dado de cara com ele uma vez sequer!... Mas se era amor, devia acabar? Tá, tudo bem, acaba, o que é que não acaba nessa vida besta!? Mas... se era amor, devia acabar tão rápido? Acabar por qualquer motivo? Pior, devia acabar tantas vezes? Bem, diante disso, deixo de me sentir inferior... ora!
O amor, minha gente, o Amor... o amor não é uma cara bonita, ou uma boca que beija direito, ou um corpo bronzeado ou uma companhia permanente. O amor não é também simplesmente oferecer um ombro para que o outro chore. Ou ir juntos a festas, bares, cafés, praias, cinema, enterro e trabalho. Amor não é falar horas e horas ao telefone (muito menos em tempos em que as telefonias oferecem todas as facilidades para tal), ou trocar mensagens vinte e quatro horas ao dia de todos os dias da semana. Amor não é a necessidade de estar ligado ao outro depois de um certo tempo de relacionamento. (A maconha e a cachaça causam esse mesmo efeito). Também não é dar presentes em aniversários, natais e páscoas. E quem disse que a atração pelo diferente é amor? E que altíssima sabedoria afirmou que a relação amorosa há de ser necessariamente de complementariedade? Então aquela história bonita de Aristófanes era verdadeira? Somos todos metades errantes à procura da nossa outra metade perdida? E se a minha outra metade, na hora da dispersão, tiver ficado lá na Europa?
Não, minha gente, Amor não é nada disso isoladamente! Mas, taí a chave do segredo: se você acredita que essas coisas aí citadas são Amor, elas serão. Se você pensa, acredita e até jura que ama porque apresenta algum desses sintomas, feliz amor pra você! Sim, eu entendo, existe uma necessidade de sentir emoções fortes. É possível que a sua vida esteja muito corrida, muito repetitiva, muito previsível, que mal há em inventar uma paixão? Por qual outro motivo suas pernas vão tremer, sua voz vai embargar, você vai suar frio se não por estar na presença do amor de sua vida? (Assalto não vale, o assaltante não vai te beijar e acariciar depois e ainda vai te deixar puto da vida sem celular).
Teria outra razão pra explicar os surtos de amor espalhados por aí? Alguma outra hipótese justifica tantos corações espalhados nos ares, nas paredes, nas telas de pcs e celulares? Se houver, gostaria de conhecer. Por enquanto vou ficando com essa minha convicção. Engane-se quem quiser! Cá comigo vou continuar achando que Amor... é algo um pouco mais embaixo.
Observando alguns fatos e algumas histórias ao meu redor, estive refletindo com meus botões... acho que nunca se amou tanto como se ama hoje. Acho também que o amor nunca foi semente tão fácil de brotar nos corações das pessoas de todas as idades e cabeças. E se ama tanto e tão intensamente, que, de repente, todos adquirem aura de poeta. E a vida se cobre de um imenso esplendor, pois o encontro com aquele ser, agora amado, foi a coisa mais iluminada que poderia ter acontecido na vida do amante. Não importa que ambos estejam no começo da vida, no despontar da juventude, é certo que o amor vai durar para sempre. Como nos velhos e bons contos de fadas. (Só que não).
Se tem um elemento que contribuiu enormemente para o crescimento dessa "cultura do amor", é a popularização das redes sociais. Se antes se amava assim, amava-se em particular, hoje ama-se para o grande público. E, desconfio eu, ama-se em função do público. Por isso é tão comum desfilarem escarlates e mui graciosas as declarações do mais puro e sincero amor, juras de afeição eterna, fotos de felicidades com legendas de citações filosóficas e trechos de Buarque, Jobim ou quem mais que cante o amor e suas belezuras. Há os que, por algum motivo, preferem a discrição, optam por esconder-se por detrás destes últimos, não revelando, a priori, rostos nem nomes. Mas eu cá fico me perguntando... as sementes do amor baratearam mesmo ou estão comprando gato por lebre? O amor virou fenômeno endêmico ou passaram a chamar pelo nome dele a outras sensações e sintomas?
Não vou negar que vejo certa graça nesse movimento febril de ver todas as pessoas amando e sendo amadas. Mas uma pulga por detrás de minha orelha direita faz-me pensar que muito do que se vê não passa de mera... invenção. Isso mesmo! É compreensível, diante de tamanhas revoluções acontecendo em ritmo frenético que os indivíduos desejem preencher as lacunas dos seus dias com emoções. Tudo anda tão modernizado, digitalizado, facilitado, robotizado, que as pessoas sentem falta de sentir. E aí, sem saber, começam a brincar de sentir.
Que crianças hoje em dia brincam na rua de baleado, sete pedrinhas, pular corda, elástico, fita, melancia, chicotinho queimado ou organizam aniversário de boneca? (No meu caso eu poderia citar também aniversário de coelhos. Tive uma coelha cinza de nome extravagante, Hanna Shara, cujo aniversário de um ano foi festejado com bolo, bolas e um discreto painel onde continha seu nome com letras cortadas em papel camurça. Na comemoração, além das pessoas da casa, as crianças vizinhas). As adolescentes ainda reúnem-se para fazer cozinhados, fazerem rifa para comprarem o mais novo CD do artista preferido, depois para ouvir e cantar em alto e bom som as músicas novas do artista preferido? Já não se experimentam mais essas sensações. A infância já não tem gosto da poeira da rua nem o ar fresco dos banhos de chuva, muito menos o doce sabor da fruta tirada astuciosamente do pé. E a adolescência deixou de ser a transição entre a infância e a idade adulta: foi suprimida. Aos doze anos vive-se e ama-se como se já tivesse dezesseis. E aos dezessete então... imagina-se já se ter atingido o ápice da experiência e da sabedoria da vida!
Quanta ilusão!
Pois bem, tanto tornou-se fácil o amar, como rápido o desamar. E aí, como explicar o paradoxo? Fico só observando como as pessoas têm facilidade de encontrar o grande amor de suas vidas, e estupefata da capacidade de o encontrarem várias vezes na vida! Chego a sentir-me injustiçada, pequena, desmoralizada, inferior mesmo! Eu que já conto uma boa quantia de verões e duvido ter dado de cara com ele uma vez sequer!... Mas se era amor, devia acabar? Tá, tudo bem, acaba, o que é que não acaba nessa vida besta!? Mas... se era amor, devia acabar tão rápido? Acabar por qualquer motivo? Pior, devia acabar tantas vezes? Bem, diante disso, deixo de me sentir inferior... ora!
O amor, minha gente, o Amor... o amor não é uma cara bonita, ou uma boca que beija direito, ou um corpo bronzeado ou uma companhia permanente. O amor não é também simplesmente oferecer um ombro para que o outro chore. Ou ir juntos a festas, bares, cafés, praias, cinema, enterro e trabalho. Amor não é falar horas e horas ao telefone (muito menos em tempos em que as telefonias oferecem todas as facilidades para tal), ou trocar mensagens vinte e quatro horas ao dia de todos os dias da semana. Amor não é a necessidade de estar ligado ao outro depois de um certo tempo de relacionamento. (A maconha e a cachaça causam esse mesmo efeito). Também não é dar presentes em aniversários, natais e páscoas. E quem disse que a atração pelo diferente é amor? E que altíssima sabedoria afirmou que a relação amorosa há de ser necessariamente de complementariedade? Então aquela história bonita de Aristófanes era verdadeira? Somos todos metades errantes à procura da nossa outra metade perdida? E se a minha outra metade, na hora da dispersão, tiver ficado lá na Europa?
Não, minha gente, Amor não é nada disso isoladamente! Mas, taí a chave do segredo: se você acredita que essas coisas aí citadas são Amor, elas serão. Se você pensa, acredita e até jura que ama porque apresenta algum desses sintomas, feliz amor pra você! Sim, eu entendo, existe uma necessidade de sentir emoções fortes. É possível que a sua vida esteja muito corrida, muito repetitiva, muito previsível, que mal há em inventar uma paixão? Por qual outro motivo suas pernas vão tremer, sua voz vai embargar, você vai suar frio se não por estar na presença do amor de sua vida? (Assalto não vale, o assaltante não vai te beijar e acariciar depois e ainda vai te deixar puto da vida sem celular).
Teria outra razão pra explicar os surtos de amor espalhados por aí? Alguma outra hipótese justifica tantos corações espalhados nos ares, nas paredes, nas telas de pcs e celulares? Se houver, gostaria de conhecer. Por enquanto vou ficando com essa minha convicção. Engane-se quem quiser! Cá comigo vou continuar achando que Amor... é algo um pouco mais embaixo.
quarta-feira, março 18
Pra você, Lenna!
Qual será o critério que a vida utiliza para escolher as pessoas que vão estar do nosso lado nas aventuras mais marcantes, mais significativas, mais inesquecíveis...? Morar numa residência universitária é um experiência inenarrável (para usar um termo bem ao seu gosto). E se engana quem imagina que morar assim é simplesmente compartilhar o mesmo teto. Muito mais que isso, vivemos o desafio contínuo de dividir os poucos quilômetros quadrados de chão, olhar o lado de fora pela mesma janela, adiantar o banho pra dar lugar à outra que vai se atrasar, misturar os calçados e os centavos, emprestar o travesseiro e o ombro, escutar os risos e os soluços, comer na mesma panela de brigadeiro. Quando se vive assim tem-se mais que amizade. A vida em comum cria entre nós uma irmandade. Porque no meio tempo em que estamos cada uma de nós envolvidas com os livros, saberes e sabores dos nossos respectivos cursos, a todo o tempo estamos participando da vida uma da outra. E nos ajudando na busca da cura para as dores de barriga e para as dores de amor.
E como esquecer, Lenamíria, daquele seu despertador que despertava todo mundo menos você... ou do dia em que você resolveu ligar para todos os seus contatos enquanto trovejava forte e eu estremecia debaixo do lençol no canto do alto daquela cama... E pensa que é só isso? O que você me diz de acordar num sábado, na tranquilidade de sua casa, atender o telefone e ouvir a voz do outro lado noticiar que havia ocorrido um incêndio na residência. Sim, um incêndio! parece que não havia vítimas mas os danos materiais foram notáveis. Fiquei assustada! Sobressaltada, tentava fazer todas as perguntas ao mesmo tempo, quando você ri seu riso largo e confessa com toda a naturalidade do mundo: "foi mentira besta, só liguei pra falar com você"...
Mas nenhuma dessas astúcias se compara ao acontecido mais recente. Sabe o que é ouvir de uma amiga que ela está grávida? Nossa! Borboletas fizeram festa no meu estômago com essa notícia tão feliz. Mas Lenna não estava contente com a novidade... Segredou-me, no dia seguinte ao da revelação, que estava a providenciar o aborto. Desesperada quem ficou fui eu com essa possibilidade fatídica. Teria sido rejeitada pelo pai? Havia acontecido algo que ela não quis contar? Era preciso fazer algo para impedir, não seria justo! E juntei-me a Juli para conversarmos com o pai do bebê. Caberia a ele impedir aquela ação. Assim o fizemos. Mas o pai nem sabia da história do bebê. Ate porque o bebê que tanto me alegrou era só mais uma história fictícia...
É, Lenna, são tantas as histórias... Não caberiam num só post. E como toda relação de família, não são só capítulos felizes, provas de amizade e companheirismo. Como toda boa irmandade, birras, desavenças, contrariedades permearam e permeiam a nossa união. Até hoje fico meio triste quando vejo que você não está na minha foto de formatura. Por quê?... Mas tem nada não. Passados cinco anos, você estava na minha defesa de Mestrado! E como você me ajudou naquele dia, viu!...
Pois, o que verdadeiramente importa, é que continuamos nos querendo bem. E quando você some eu pergunto onde você estava, e quando eu não apareço você pergunta se estou bem. Importa mesmo é saber que, embora não mais dividindo o mesmo teto, continuamos participando das dores e delícias de nossas trajetórias. Saiba que estou aqui para vibrar pelas suas conquistas. E que quero sim estar no churrasco na piscina da sua casa, saber do seu novo amor, da sua promoção no emprego, seu carro, seu filho, suas viagens... Que a vida lhe dê muitos motivos para celebrar. Mas se ela não der tantos assim, crie-os! Feliz é quem tem coragem de ser assim.
terça-feira, março 10
segunda-feira, março 9
Rosto 1
E ela percebeu também que havia situações em que o rosto assumia uma forma tão incisiva que a máscara não conseguia adequar-se a ele perfeitamente: a forma do rosto comprometia a moldura da máscara. Nesses instantes, era preciso muito esforço para continuar não sendo.
domingo, março 8
Rosto
Num dia qualquer, ela decidiu comprar uma máscara de alegria. Escolheu uma bem parecida com a sua cara de antes, de modo que aparentasse o mais possível com um rosto real. Vestiu-a e saiu. Foi um sucesso. Todos a cumprimentaram igualmente alegres. E, o mais importante, ninguém notou o artifício. Passaria então a usá-la diariamente. Estava resolvido seu impasse com o mundo lá fora. Contudo, a máscara lhe incomodava, deveras. Não conseguia mantê-la enquanto estava fora da vista do público: o artifício lhe caía aos pés bastava que estivesse só consigo mesma. E a verdade da vida lhe fazia de novo chover.
sábado, fevereiro 14
Palavras, tamanhos e cores
À medida que crescemos e vamos descobrindo as diferentes faces da existência, algumas palavras vão mudando de significado no nosso dicionário.
Algumas se ampliam, ganham adornos e cores. Outras se estreitam, murcham, ficam cabisbaixas. Posso citar dois exemplos, um de distensão e um de encolhimento.
A palavra FELICIDADE. Antes era uma coisa grande, esplendorosa e colorida como cauda de pavão. Mas muito maior que a cauda do pavão! Era algo gigantesco, comparado a grandes montanhas, só que com asas, mobilidade, quase dançante. Agora, esse sentido encolheu. Felicidade se tornou coisa bem menos encantada. Também não é mais algo que se vá encontrar amanhã ou daqui a algumas horas ou quando conseguir realizar aquele sonho. Ela não é algo que se possa encontrar, ou que alguém possa trazer de presente, ou que a vida tenha que, por lei, legar a mim ou a você em algum momento da caminhada terrena. Felicidade pode nunca ser. Ou, consideram alguns mais otimistas (ou mais felizes. Ou, ainda, mais bem-aventurados), pode sempre ser. No final das contas, sempre cabe um quinhão de escolha do próprio sujeito. Uma decisão pessoal.
Agora, uma palavra que cresceu foi a palavra VIDA. A gente fala VIDA assim corriqueiramente, mas raramente se para, em algum momento, para refletir o que ela é. E, nesse aspecto, é inevitável refletir sobre vida sem que se lhe oponha à ideia de morte.
Pode parecer um raciocínio clichê (e é) afirmar que só se compreende o valor da vida quando se está diante do seu oposto. Uma pessoa que bebe e vai dirigir, por exemplo, ou que não usa o capacete na motocicleta tem uma noção bem diversa de vida que aquela que luta para curar uma doença. Que se submete a tratamentos rígidos e até dolorosos, usa medicamentos regularmente, abre mão de hábitos prazerosos, alimentares ou quaisquer outros, em vista de melhorias no estado clínico... Os primeiros querem viver a vida a todo vapor. Querem emoção, adrenalina, curtir tudo o que há, mesmo sabendo que a aventura pode custar caro. Os segundos só querem as condições suficientes para passar mais um tempo do lado de cá. Se questionados, uns e outros certamente afirmarão que a vida é boa. E que não querem deixá-la. A diferença é que, para os primeiros, ela é um manancial inesgotável; para os segundos, apenas uma gota. No bar, no encontro de amigos, no carnaval, a vida é uma festa: ela canta e dança. Num leito de hospital, a vida é uma corda bamba: ela geme e chora.
Tão gritante é a dicotomia do significado dessa palavra nessas duas diferentes situações, e é tão tênue a linha que separa a vida da morte, que nunca mais pronunciei a palavra VIDA com a mesma naturalidade de antes. VIDA é estar e ser. Morte é deixar de estar e - ao mesmo na dimensão material - deixar de ser. A ideia de VIDA cresce exponencialmente quando se pensa quão fatal e definitiva é a morte.
Cresceu. Cresceu e se pintou de um cinza um tanto tenebroso, autoritário. Eu estou com Guimarães Rosa quando diz que viver é muito perigoso... Nada de cores e danças e confetes. A tinta, a dança e os confetes quem cria é você, sou eu, se estivermos dispostos para tal. Na crua realidade, a vida é tão terrível quanto a morte.
Para torná-la suportável, levemos lápis de cor.
Algumas se ampliam, ganham adornos e cores. Outras se estreitam, murcham, ficam cabisbaixas. Posso citar dois exemplos, um de distensão e um de encolhimento.
A palavra FELICIDADE. Antes era uma coisa grande, esplendorosa e colorida como cauda de pavão. Mas muito maior que a cauda do pavão! Era algo gigantesco, comparado a grandes montanhas, só que com asas, mobilidade, quase dançante. Agora, esse sentido encolheu. Felicidade se tornou coisa bem menos encantada. Também não é mais algo que se vá encontrar amanhã ou daqui a algumas horas ou quando conseguir realizar aquele sonho. Ela não é algo que se possa encontrar, ou que alguém possa trazer de presente, ou que a vida tenha que, por lei, legar a mim ou a você em algum momento da caminhada terrena. Felicidade pode nunca ser. Ou, consideram alguns mais otimistas (ou mais felizes. Ou, ainda, mais bem-aventurados), pode sempre ser. No final das contas, sempre cabe um quinhão de escolha do próprio sujeito. Uma decisão pessoal.
Agora, uma palavra que cresceu foi a palavra VIDA. A gente fala VIDA assim corriqueiramente, mas raramente se para, em algum momento, para refletir o que ela é. E, nesse aspecto, é inevitável refletir sobre vida sem que se lhe oponha à ideia de morte.
Pode parecer um raciocínio clichê (e é) afirmar que só se compreende o valor da vida quando se está diante do seu oposto. Uma pessoa que bebe e vai dirigir, por exemplo, ou que não usa o capacete na motocicleta tem uma noção bem diversa de vida que aquela que luta para curar uma doença. Que se submete a tratamentos rígidos e até dolorosos, usa medicamentos regularmente, abre mão de hábitos prazerosos, alimentares ou quaisquer outros, em vista de melhorias no estado clínico... Os primeiros querem viver a vida a todo vapor. Querem emoção, adrenalina, curtir tudo o que há, mesmo sabendo que a aventura pode custar caro. Os segundos só querem as condições suficientes para passar mais um tempo do lado de cá. Se questionados, uns e outros certamente afirmarão que a vida é boa. E que não querem deixá-la. A diferença é que, para os primeiros, ela é um manancial inesgotável; para os segundos, apenas uma gota. No bar, no encontro de amigos, no carnaval, a vida é uma festa: ela canta e dança. Num leito de hospital, a vida é uma corda bamba: ela geme e chora.
Tão gritante é a dicotomia do significado dessa palavra nessas duas diferentes situações, e é tão tênue a linha que separa a vida da morte, que nunca mais pronunciei a palavra VIDA com a mesma naturalidade de antes. VIDA é estar e ser. Morte é deixar de estar e - ao mesmo na dimensão material - deixar de ser. A ideia de VIDA cresce exponencialmente quando se pensa quão fatal e definitiva é a morte.
Cresceu. Cresceu e se pintou de um cinza um tanto tenebroso, autoritário. Eu estou com Guimarães Rosa quando diz que viver é muito perigoso... Nada de cores e danças e confetes. A tinta, a dança e os confetes quem cria é você, sou eu, se estivermos dispostos para tal. Na crua realidade, a vida é tão terrível quanto a morte.
Para torná-la suportável, levemos lápis de cor.
quinta-feira, fevereiro 12
terça-feira, fevereiro 10
Couraça
É preciso rasgar-se por dentro.
É preciso extirpar a pele que te reveste a carne, os ossos, as vísceras do sentir...
É preciso, em seguida, banhar-se no ácido da realidade nova,
a que te causa dor.
É preciso banhar-se na dor.
E permanecer de pé, doendo, até que venha nova pele.
Couraça.
É preciso extirpar a pele que te reveste a carne, os ossos, as vísceras do sentir...
É preciso, em seguida, banhar-se no ácido da realidade nova,
a que te causa dor.
É preciso banhar-se na dor.
E permanecer de pé, doendo, até que venha nova pele.
Couraça.
domingo, fevereiro 8
quarta-feira, janeiro 28
F5
"Quando já não tinha espaço pequena fui
Onde a vida me cabia apertada"...
Tava olhando aqui... Esse blog ta cada vez mais parecido com um diário. Mas então, caro hipotético leitor, você não tem nada que reclamar. Já viu o nome do blog? Pois é, então eu faço dele o que eu bem quiser e entender. Até porque, nos nossos tempos (ou quem sabe tenha sido assim em todos os tempos), poucas coisas são assim tão nossas de modo que a gente possa delas fazer o que bem quer e entende. Nem nossas próprias opiniões! Nem nosso cachorro! O meu mesmo odeia ser beijado e abraçado. Fui fazer isso uma vez e foi a única! Não, ele não chegou a morder-me, ele não é louco! E se tivesse mordido iria ficar nisso mesmo. Dois gritos de reclamação e eu que curasse o local lesionado com mertiolate. A propósito, ainda existe mertiolate? E será que é assim que fala? Que nada, isso foi remédio de quando eu era pequena, não deve existir mais. Não tô dizendo com isso que eu seja velha. Claro que não... Ainda estou na casa dos vinte!
Pois bem. Eu dizia que esse blog ta a cara de um diário. E essa postagem é pra fazer jus a isso.
Desde que resolvi apertar a tecla F5 em minha vida, instalou-se uma necessária desorganização interior. Na verdade, a desordem já estava instaurada. O ato de clicar o F5 só fez colocar as coisas todas em movimento, em tremendo reboliço. Aí, as ideias, os conceitos, as crenças, os valores, os hábitos, as pessoas...tudo está posto em julgamento. Algumas, certamente, irão permanecer. As que estiverem melhor alicerçadas. Mas muita coisa vai voar. Essa não é uma operação indolor. Não, não é. Para concretizá-la é necessário boas doses de desapego, coragem, determinação e desejo de mudança. Ativar F5 significa predispor-se a enfrentar as mudanças de enredo quando da alteração da importância das personagens. Sim, é um processo de redefinir prioridades. Sabe aquelas faxinas que você aproveita pra mudar os móveis de lugar? Tira o sofá desse lado, leva a mesa pro centro, prega a televisão no alto.. É assim. E isso causa muito barulho! Incomoda. Arranha o piso da casa. Mas depois, quase sempre fica a sensação de que ganhamos espaço. O sentimento de estreiteza acaba. Experimenta-se certo conforto, logo após o rearranjo das posições.
É o que ocorre com o nosso eu. É árdua e incômoda a tarefa de refazer-se. Machuca, fere, provoca dor... Tudo em nome da recusa ao lugar estreito. E que bom quando recusamos o lugar estreito; que bom quando não nos acostumamos com ele, projetando a falsa ilusão de que se pode viver ali, apesar do aperto. Quer que eu confesse uma coisa? A real é, se hoje um anjo viesse do céu me perguntar se eu preferiria morrer ou continuar vivendo, não tenho dúvidas de que escolheria deixar a matéria. Mas acontece que nenhum anjo veio nem virá me fazer essa pergunta. Logo, a única opção é ficar! Pois então, se é pra viver, vamos viver com classe! Nada de aceitar migalhas nem mendigar misérias nem engolir tudo que quiserem nos empurrar goela abaixo. Se viver é um imperativo, vamos também nós sermos exigentes! Vamos partir para o enfrentamento! Tá achando que é barato estar aqui? Não é não! Pois então... briguemos por espaço! E sejamos tão grandes quanto a amplitude do nosso lugar.
sábado, junho 7
segunda-feira, janeiro 24
De um instante de ausências
... Não encontrei nada pronto que pudesse postar agora, mas sinto uma enorme vontade de me dizer. Sinto uma mistura de coisas, uma efusão de sentimentos, uma multidão de palavras a dançar, brincar, lutar, explodir...Vontade de falar sem reticências para amenizar as angústias das interrogações. Escrever para tentar entender a razão de tantos apesares, de tantos ses e talvezes, de tantos quereres; Escrever para tentar elucidar a estranha natureza do bicho homem, a estranha essência do ser gente. Escrever para me dizer, aliviar as sofrências dos exacerbados anseios eternos... inacabáveis... insaciáveis...
Viver é magnífico!
Viver é muito difícil.
Viver é morrer sem respostas... E amar (verbo de ligação) é a única resposta.
Viver é magnífico!
Viver é muito difícil.
Viver é morrer sem respostas... E amar (verbo de ligação) é a única resposta.
quarta-feira, outubro 6
Para refletir...
Recebi por e-mail esse texto e resolvi compartilhar. É sempre oportuno saber coisas como essas... acreditar nessas coisas...
Nada na vida acontece em vão
Se um dia ao acordar, você encontrasse, ao lado da sua cama, um lindo pacote embrulhado com fitas coloridas,
você o abriria, antes mesmo de lavar o rosto, rasgando o papel, curioso para ver o que havia dentro...
Talvez houvesse ali algo de que você nem gostasse muito...
Então você guardaria a caixa, pensando no que fazer com aquele presente aparentemente "inútil"...
Mas no dia seguinte, lá está outra caixa.
Mais uma vez, você abre correndo e dessa vez há alguma coisa da qual você gosta muito...
Uma lembrança de alguém distante, uma roupa que você viu na vitrine, a chave de um carro novo, um casaco
para os dias de frio ou simplesmente um ramo de flores de alguém que se lembrou de você...
E isso acontece todos os dias, mas nós nem percebemos...
Todos os dias quando acordamos, lá está, à nossa frente, uma caixa de presentes enviada por Deus,
especialmente para nós: um dia inteirinho para usarmos da melhor forma possível!
Às vezes ele vem cheio de problemas, coisas que não conseguimos resolver, tristezas, decepções, lágrimas...
Mas outras vezes, ele vem cheio de surpresas boas, alegrias, vitórias e conquistas...
O mais importante é que, todos os dias, Deus embrulha para nós, enquanto dormimos, com todo o carinho,
nosso presente: O DIA SEGUINTE!
Ele cerca nosso dia com fitas coloridas, não importa o que esteja por vir...
a esse dia quando acordamos, chamamos PRESENTE...
O PRESENTE de Deus pra nós.
Nem sempre Ele nos manda o que esperamos, o que queremos...
Mas Ele sempre, sempre e sempre, nos manda o melhor, o de que precisamos, e que é sempre muito mais
do que merecemos...
Abra seu PRESENTE todos os dias, primeiro agradecendo a quem o mandou, sem se importar com o que vem
dentro do "pacote".
Sem dúvida, Ele não se engana na remessa dos pacotes.
Se não veio hoje o PRESENTE que você esperava, espere...
Abra o de amanhã com mais carinho, pois a qualquer momento, os sonhos e planos de Deus pra você chegarão
embrulhadinhos pra PRESENTE!
DEUS não atende as nossas vontades, e sim nossas necessidades.
Nada na vida acontece em vão
Se um dia ao acordar, você encontrasse, ao lado da sua cama, um lindo pacote embrulhado com fitas coloridas,
você o abriria, antes mesmo de lavar o rosto, rasgando o papel, curioso para ver o que havia dentro...
Talvez houvesse ali algo de que você nem gostasse muito...
Então você guardaria a caixa, pensando no que fazer com aquele presente aparentemente "inútil"...
Mas no dia seguinte, lá está outra caixa.
Mais uma vez, você abre correndo e dessa vez há alguma coisa da qual você gosta muito...
Uma lembrança de alguém distante, uma roupa que você viu na vitrine, a chave de um carro novo, um casaco
para os dias de frio ou simplesmente um ramo de flores de alguém que se lembrou de você...
E isso acontece todos os dias, mas nós nem percebemos...
Todos os dias quando acordamos, lá está, à nossa frente, uma caixa de presentes enviada por Deus,
especialmente para nós: um dia inteirinho para usarmos da melhor forma possível!
Às vezes ele vem cheio de problemas, coisas que não conseguimos resolver, tristezas, decepções, lágrimas...
Mas outras vezes, ele vem cheio de surpresas boas, alegrias, vitórias e conquistas...
O mais importante é que, todos os dias, Deus embrulha para nós, enquanto dormimos, com todo o carinho,
nosso presente: O DIA SEGUINTE!
Ele cerca nosso dia com fitas coloridas, não importa o que esteja por vir...
a esse dia quando acordamos, chamamos PRESENTE...
O PRESENTE de Deus pra nós.
Nem sempre Ele nos manda o que esperamos, o que queremos...
Mas Ele sempre, sempre e sempre, nos manda o melhor, o de que precisamos, e que é sempre muito mais
do que merecemos...
Abra seu PRESENTE todos os dias, primeiro agradecendo a quem o mandou, sem se importar com o que vem
dentro do "pacote".
Sem dúvida, Ele não se engana na remessa dos pacotes.
Se não veio hoje o PRESENTE que você esperava, espere...
Abra o de amanhã com mais carinho, pois a qualquer momento, os sonhos e planos de Deus pra você chegarão
embrulhadinhos pra PRESENTE!
DEUS não atende as nossas vontades, e sim nossas necessidades.
segunda-feira, setembro 20
Coisas bonitas
De repente senti uma necessidade de coisas bonitas... Busquei na net e pesquei o texto abaixo. (Tinha uma música instrumental que fazia fundo, pena que não pude trazê-la também). Supriu, temporariamente, minha carência de beleza...
Bonitas são as coisas vindas do interior, as palavras simples, sinceras e significativas.
Bonito é o sorriso que vem de dentro, o brilho dos olhos...
Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa
ou as noites enluaradas de verão em que todos saem de casa.
Bonito é procurar estrelas no céu e dar de presente
ao amigo, amiga, namorado...
Bonito é achar a poesia do vento, das flores e das crianças.
Bonito é chorar quando sentir vontade
e deixar que as lágrimas rolem sem vergonha ou medo de crítica.
Bonito é gostar da vida e viver do sonho.
Bonito é ser realista sem ser cruel, é acreditar na beleza de todas as coisas.
Bonito é a gente continuar sendo gente
em qualquer situação, mesmo nos momentos de dificuldade.
Bonito é você ser você,do jeito que você é, sem máscaras,
sem falsidades, sem falcatruas,com transparência e,
principalmente, com muita bondade e honestidade.
Bonitas são as coisas vindas do interior, as palavras simples, sinceras e significativas.
Bonito é o sorriso que vem de dentro, o brilho dos olhos...
Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa
ou as noites enluaradas de verão em que todos saem de casa.
Bonito é procurar estrelas no céu e dar de presente
ao amigo, amiga, namorado...
Bonito é achar a poesia do vento, das flores e das crianças.
Bonito é chorar quando sentir vontade
e deixar que as lágrimas rolem sem vergonha ou medo de crítica.
Bonito é gostar da vida e viver do sonho.
Bonito é ser realista sem ser cruel, é acreditar na beleza de todas as coisas.
Bonito é a gente continuar sendo gente
em qualquer situação, mesmo nos momentos de dificuldade.
Bonito é você ser você,do jeito que você é, sem máscaras,
sem falsidades, sem falcatruas,com transparência e,
principalmente, com muita bondade e honestidade.
quinta-feira, setembro 16
domingo, agosto 29
"No intervalo..."
Ai, essa vida...
A vida apronta cada uma viu!!! Muito de repente acontecem tantas coisas, tudo muda de lugar, de forma, de sentido... De repente você se sente como se tivesse levado um forte empurrão e, cambaleando, caiu num cenário totalmente estranho onde tudo já está armado e um público, atento, esperando a sua atuação. Você se sente perdido, desconfortável, com medo, muito medo, mas não dá tempo pra pensar. A situação exige de você ATITUDES.
De repente você se vê fazendo coisas que nunca imaginou ser capaz; vendo, ouvindo, respirando, vivendo momentos que... nossa... você tem certeza que não é você; aquela pessoa do momento do empurrão.
A vida faz cada uma... Mas li um dia desses uma coisa que me confortou:
"O sofrimento é o intervalo entre duas felicidades".
Quero acreditar que estou no intervalo.
Estou esperando as felicidades...
A vida apronta cada uma viu!!! Muito de repente acontecem tantas coisas, tudo muda de lugar, de forma, de sentido... De repente você se sente como se tivesse levado um forte empurrão e, cambaleando, caiu num cenário totalmente estranho onde tudo já está armado e um público, atento, esperando a sua atuação. Você se sente perdido, desconfortável, com medo, muito medo, mas não dá tempo pra pensar. A situação exige de você ATITUDES.
De repente você se vê fazendo coisas que nunca imaginou ser capaz; vendo, ouvindo, respirando, vivendo momentos que... nossa... você tem certeza que não é você; aquela pessoa do momento do empurrão.
A vida faz cada uma... Mas li um dia desses uma coisa que me confortou:
"O sofrimento é o intervalo entre duas felicidades".
Quero acreditar que estou no intervalo.
Estou esperando as felicidades...
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