É o que todos dizem, baby... é o que dizem...
Lei
Cecília Meireles
O que é preciso é entender a solidão!
O que é preciso é aceitar, mesmo, a onda amarga
que leva os mortos.
O que é preciso é esperar pela estrela
que ainda não está completa.
O que é preciso é que os olhos sejam cristal sem névoa,
e os lábios de ouro puro.
O que é preciso é que a alma vá e venha;
e ouça a notícia do tempo,
e. entre os assombros da vida e da morte,
estenda suas diáfanas asas,
isenta por igual.
de desejo e de desespero.
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segunda-feira, fevereiro 2
domingo, fevereiro 1
De vez em quando...
Paixão
Adélia Prado
De vez em quando Deus me tira a poesia.
Olho pedra, vejo pedra mesmo.
O mundo, cheio de departamentos, não é a bola
bonita caminhando
solta no espaço.
Adélia Prado
De vez em quando Deus me tira a poesia.
Olho pedra, vejo pedra mesmo.
O mundo, cheio de departamentos, não é a bola
bonita caminhando
solta no espaço.
quarta-feira, janeiro 28
F5
"Quando já não tinha espaço pequena fui
Onde a vida me cabia apertada"...
Tava olhando aqui... Esse blog ta cada vez mais parecido com um diário. Mas então, caro hipotético leitor, você não tem nada que reclamar. Já viu o nome do blog? Pois é, então eu faço dele o que eu bem quiser e entender. Até porque, nos nossos tempos (ou quem sabe tenha sido assim em todos os tempos), poucas coisas são assim tão nossas de modo que a gente possa delas fazer o que bem quer e entende. Nem nossas próprias opiniões! Nem nosso cachorro! O meu mesmo odeia ser beijado e abraçado. Fui fazer isso uma vez e foi a única! Não, ele não chegou a morder-me, ele não é louco! E se tivesse mordido iria ficar nisso mesmo. Dois gritos de reclamação e eu que curasse o local lesionado com mertiolate. A propósito, ainda existe mertiolate? E será que é assim que fala? Que nada, isso foi remédio de quando eu era pequena, não deve existir mais. Não tô dizendo com isso que eu seja velha. Claro que não... Ainda estou na casa dos vinte!
Pois bem. Eu dizia que esse blog ta a cara de um diário. E essa postagem é pra fazer jus a isso.
Desde que resolvi apertar a tecla F5 em minha vida, instalou-se uma necessária desorganização interior. Na verdade, a desordem já estava instaurada. O ato de clicar o F5 só fez colocar as coisas todas em movimento, em tremendo reboliço. Aí, as ideias, os conceitos, as crenças, os valores, os hábitos, as pessoas...tudo está posto em julgamento. Algumas, certamente, irão permanecer. As que estiverem melhor alicerçadas. Mas muita coisa vai voar. Essa não é uma operação indolor. Não, não é. Para concretizá-la é necessário boas doses de desapego, coragem, determinação e desejo de mudança. Ativar F5 significa predispor-se a enfrentar as mudanças de enredo quando da alteração da importância das personagens. Sim, é um processo de redefinir prioridades. Sabe aquelas faxinas que você aproveita pra mudar os móveis de lugar? Tira o sofá desse lado, leva a mesa pro centro, prega a televisão no alto.. É assim. E isso causa muito barulho! Incomoda. Arranha o piso da casa. Mas depois, quase sempre fica a sensação de que ganhamos espaço. O sentimento de estreiteza acaba. Experimenta-se certo conforto, logo após o rearranjo das posições.
É o que ocorre com o nosso eu. É árdua e incômoda a tarefa de refazer-se. Machuca, fere, provoca dor... Tudo em nome da recusa ao lugar estreito. E que bom quando recusamos o lugar estreito; que bom quando não nos acostumamos com ele, projetando a falsa ilusão de que se pode viver ali, apesar do aperto. Quer que eu confesse uma coisa? A real é, se hoje um anjo viesse do céu me perguntar se eu preferiria morrer ou continuar vivendo, não tenho dúvidas de que escolheria deixar a matéria. Mas acontece que nenhum anjo veio nem virá me fazer essa pergunta. Logo, a única opção é ficar! Pois então, se é pra viver, vamos viver com classe! Nada de aceitar migalhas nem mendigar misérias nem engolir tudo que quiserem nos empurrar goela abaixo. Se viver é um imperativo, vamos também nós sermos exigentes! Vamos partir para o enfrentamento! Tá achando que é barato estar aqui? Não é não! Pois então... briguemos por espaço! E sejamos tão grandes quanto a amplitude do nosso lugar.
segunda-feira, janeiro 26
Elegia
A noite. Escuridão, silêncio. A voz, o salto, a pergunta:
A notícia, o desespero.
Mentira! O grito, o chão aberto.
A chaga aberta, a vida deserta, a interrogação.
Anestesia.
O lugar. O encontro, o corpo. Não! A pergunta, a ânsia, o sono. A mão, o rosto, o silêncio.
Uma vida ida, outra, erma.
(120 dias).
A notícia, o desespero.
Mentira! O grito, o chão aberto.
A chaga aberta, a vida deserta, a interrogação.
Anestesia.
O lugar. O encontro, o corpo. Não! A pergunta, a ânsia, o sono. A mão, o rosto, o silêncio.
Uma vida ida, outra, erma.
(120 dias).
domingo, janeiro 11
Versos íntimos
Bem, atender o pedido de Mel postando algo romântico foi até fácil. Agora, a ressalva de Jéssica de que deveria ser uma composição minha... aí já é meio impossível! Serve Augusto dos Anjos?
Rs.
Versos íntimos
Augusto dos Anjos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Rs.
Versos íntimos
Augusto dos Anjos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
sábado, janeiro 10
"Uma coisa romântica, por favor!"
Sim, há um tempo já fui romântica...
Uma amiga visitou meu blog e pediu, por favor, que eu faça uma postagem romântica...
Eu a entendo... Deve estar tudo super pesado por aqui. Mas fazer o quê... são as coisas que estão em mim..
Mas vamo lá. Voltando ao tempo em que fui romântica... Tem uma música que sempre que ouvia eu pensava: poxa...se um desavisado me oferece uma música dessa...eu caso com ele! É, na minha opinião, uma das mais lindas composições brasileiras.
Detalhe: nenhum desavisado nunca me dedicou essa canção... :(
(Melzinha... ei-la!)
Dia branco
Geraldo Azevedo
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Oh! oh! oh
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Link para ouvir: http://letras.mus.br/geraldo-azevedo/46156/
Uma amiga visitou meu blog e pediu, por favor, que eu faça uma postagem romântica...
Eu a entendo... Deve estar tudo super pesado por aqui. Mas fazer o quê... são as coisas que estão em mim..
Mas vamo lá. Voltando ao tempo em que fui romântica... Tem uma música que sempre que ouvia eu pensava: poxa...se um desavisado me oferece uma música dessa...eu caso com ele! É, na minha opinião, uma das mais lindas composições brasileiras.
Detalhe: nenhum desavisado nunca me dedicou essa canção... :(
(Melzinha... ei-la!)
Dia branco
Geraldo Azevedo
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Oh! oh! oh
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Link para ouvir: http://letras.mus.br/geraldo-azevedo/46156/
quarta-feira, janeiro 7
A rua dos cataventos
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meus cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
Mário Quintana
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meus cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.
Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!
Mário Quintana
terça-feira, janeiro 6
Cem dias...
Sem o olhar,
sem a voz,
sem o sorriso,
sem o afeto,
sem o abraço,
sem o ombro,
sem o colo,
sem os passos,
sem os conselhos,
sem os segredos,
sem os beijos,
sem o consolo...
sem o amor que me deu vida.
Cem dias de solidão...
sem a voz,
sem o sorriso,
sem o afeto,
sem o abraço,
sem o ombro,
sem o colo,
sem os passos,
sem os conselhos,
sem os segredos,
sem os beijos,
sem o consolo...
sem o amor que me deu vida.
Cem dias de solidão...
quinta-feira, janeiro 1
2015... que meus pés suportem pisar
Navegante
De mim
exijam pouco...
Pois o tempo
que me resta
é louca busca
de como atravessar
O Sol...
Damário da Cruz
De mim
exijam pouco...
Pois o tempo
que me resta
é louca busca
de como atravessar
O Sol...
Damário da Cruz
sexta-feira, dezembro 26
Meu coração chove
Como há três meses, é sexta-feira. Chove. Chove igual meu coração, que há noventa dias sofreu a maior das dores.
Meu coração chove por ter que passar esses últimos dias do ano sentindo o vazio profundo, deixado por uma perda irreparável. Meu coração chove porque no dia 21 de dezembro eu não tive aquele abraço primeiro, emocionado, sagrado, a mais perfeita encarnação do divino em minha vida. Meu coração chove porque é natal mas minhas luzes estão apagadas, meu sino está recolhido, minha família está incompleta. Meu coração chove porque o ano vai virar e naquela hora mágica em que todos nutrem sonhos e esperança na renovação, eu, que sempre sonhei com e por ela, sonharei sozinha... Meu coração chove porque dói ter visto o apagar de uma vida cheia de ideais; é desolador viver sem a inspiração, a razão, o farol dos meus dias. Meu coração chove porque é triste não te ter aqui...minha mãe.
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