Para brindar a estação, essa linda, letra e melodia, do grande Djavan!
Um olhar uma luz ou um par de pérolas
Mesmo sendo azuis sou teu e te devo
Por essa riqueza
Uma boca que eu sei
Não porque me fala lindo
E sim, beija bem
Tudo é viável pra quem faz com prazer
Sedução, frenesi
Sinto você assim, sensual, árvore
Espécie escolhida, pra ser a mão do ouro
O outono traduzir viver o esplendor em si.....
Tua pele um bourbon me aquece como eu quero
Sweet home gostar é atual além de ser tão bom...
Djavan
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sábado, abril 16
domingo, abril 10
Congresso Internacional do Medo
Tomo as palavras de Drummond para expressar o sentimento que paira em todo o país após o lamentável ocorrido do Rio de Janeiro na semana que passou. Cantemos, provisoriamente, o medo; porque, em muitos corações, o amor está refugiado muito abaixo dos subterrâneos.
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade
Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, março 9
Um cão apenas
Para uma quarta-feira de cinzas, um ressurgir. Reencontrei-me agora há pouco com essa crônica da minha doce Cecília... Que boa surpresa poder relê-lo, redescobrí-lo! Vou abster-me de quaisquer comentários. Tenho certeza que ele os dispensa...
Subidos, de ânimo leve e descansado passo, os quarenta degraus do jardim – plantas em flor, de cada lado; borboletas incertas; salpicos de luz no granito eis-me no patamar. E a meus pés, no áspero capacho de coco, à frescura da cal do pórtico, um cãozinho triste interrompe o seu sono, levanta a cabeça e fita-me. É um triste cãozinho doente, com todo o corpo ferido; gastas, as mechas brancas do pêlo; o olhar dorido e profundo, com esse lustro de lágrima que há nos olhos das pessoas muito idosas.
Com um grande esforço, acaba de levantar.-se. Eu não lhe digo nada; não faço nenhum gesto. Envergonha-me haver interrompido o seu sono. Se ele estava feliz ali, eu não devia ter chegado. Já que lhe faltavam tantas coisas, que ao menos dormisse: também os animais devem esquecer, enquanto dormem… Ele, porém, levantava-se e olhava-me. Levantava-se com a dificuldade dos enfermos graves, acomodando as patas da frente, o resto do corpo, sempre com os olhos em mim, como à espera de uma palavra ou de um gesto. Mas eu não o queria vexar nem oprimir.
Gostaria de ocupar-me dele: chamar alguém, pedir-lhe que o examinasse, que receitasse, encaminhá-lo para um tratamento… Mas tudo é longe, meu Deus, tudo é tão longe. E era preciso passar. E ele estava na minha frente, inábil, como envergonhado de se achar tão sujo e doente, com o envelhecido olhar numa espécie de súplica. Até o fim da vida guardarei seu olhar no meu coração. Até o fim da vida sentirei esta humana infelicidade de nem sempre poder socorrer, neste complexo mundo dos homens. Então, o triste cãozinho reuniu todas as suas forças, atravessou o patamar, sem nenhuma dúvida sobre o caminho, como se fosse um visitante habitual, e começou a descer as escadas e as suas rampas, com as plantas em flor de cada lado, as borboletas incertas, salpicos de luz no granito, até o limiar da entrada. Passou por entre as grades do portão, prosseguiu para o lado esquerdo, desapareceu.
Ele ia descendo como um velhinho andrajoso, esfarrapado, de cabeça baixa, sem firmeza e sem destino. Era, no entanto, uma forma de vida. Uma criatura deste mundo de criaturas inumeráveis. Esteve ao meu alcance, talvez tivesse fome e sede: e eu nada fiz por ele; amei-o, apenas, com uma caridade inútil, sem qualquer expressão concreta. Deixei-o partir, assim, humilhado, e tão digno, no entanto; como alguém que respeitosamente pede desculpas de ter ocupado um lugar que não era o seu.
Depois pensei que nós todos somos, um dia, esse cãozinho triste, à sombra de uma porta. E há o dono da casa e a escada que descemos, e a dignidade final da solidão.
Cecilia Meireles
Subidos, de ânimo leve e descansado passo, os quarenta degraus do jardim – plantas em flor, de cada lado; borboletas incertas; salpicos de luz no granito eis-me no patamar. E a meus pés, no áspero capacho de coco, à frescura da cal do pórtico, um cãozinho triste interrompe o seu sono, levanta a cabeça e fita-me. É um triste cãozinho doente, com todo o corpo ferido; gastas, as mechas brancas do pêlo; o olhar dorido e profundo, com esse lustro de lágrima que há nos olhos das pessoas muito idosas.
Com um grande esforço, acaba de levantar.-se. Eu não lhe digo nada; não faço nenhum gesto. Envergonha-me haver interrompido o seu sono. Se ele estava feliz ali, eu não devia ter chegado. Já que lhe faltavam tantas coisas, que ao menos dormisse: também os animais devem esquecer, enquanto dormem… Ele, porém, levantava-se e olhava-me. Levantava-se com a dificuldade dos enfermos graves, acomodando as patas da frente, o resto do corpo, sempre com os olhos em mim, como à espera de uma palavra ou de um gesto. Mas eu não o queria vexar nem oprimir.
Gostaria de ocupar-me dele: chamar alguém, pedir-lhe que o examinasse, que receitasse, encaminhá-lo para um tratamento… Mas tudo é longe, meu Deus, tudo é tão longe. E era preciso passar. E ele estava na minha frente, inábil, como envergonhado de se achar tão sujo e doente, com o envelhecido olhar numa espécie de súplica. Até o fim da vida guardarei seu olhar no meu coração. Até o fim da vida sentirei esta humana infelicidade de nem sempre poder socorrer, neste complexo mundo dos homens. Então, o triste cãozinho reuniu todas as suas forças, atravessou o patamar, sem nenhuma dúvida sobre o caminho, como se fosse um visitante habitual, e começou a descer as escadas e as suas rampas, com as plantas em flor de cada lado, as borboletas incertas, salpicos de luz no granito, até o limiar da entrada. Passou por entre as grades do portão, prosseguiu para o lado esquerdo, desapareceu.
Ele ia descendo como um velhinho andrajoso, esfarrapado, de cabeça baixa, sem firmeza e sem destino. Era, no entanto, uma forma de vida. Uma criatura deste mundo de criaturas inumeráveis. Esteve ao meu alcance, talvez tivesse fome e sede: e eu nada fiz por ele; amei-o, apenas, com uma caridade inútil, sem qualquer expressão concreta. Deixei-o partir, assim, humilhado, e tão digno, no entanto; como alguém que respeitosamente pede desculpas de ter ocupado um lugar que não era o seu.
Depois pensei que nós todos somos, um dia, esse cãozinho triste, à sombra de uma porta. E há o dono da casa e a escada que descemos, e a dignidade final da solidão.
Cecilia Meireles
domingo, março 6
Colecionador
Vou pedir licença ao autor pra postar aqui um texto (lindo) que li ontem. Belas imagens de nossa insensata mania de ser "viajante imóvel"...
Guardo recordações de viagens
que nunca fiz. Garrafas cheias
de lembranças vazias e nomes
conhecidos, mas distantes.
Diferentes barcos a vela
que, como eu, não velejam,
mas velam por minha imaginação.
Localidades das quais não
tenho qualquer recordação,
a não ser a breve sensação
de que as toco, aqui, de longe,
quando encosto, ainda em transe,
nas bugigangas daqueles lugares.
Marcos R. B. Lima
Guardo recordações de viagens
que nunca fiz. Garrafas cheias
de lembranças vazias e nomes
conhecidos, mas distantes.
Diferentes barcos a vela
que, como eu, não velejam,
mas velam por minha imaginação.
Localidades das quais não
tenho qualquer recordação,
a não ser a breve sensação
de que as toco, aqui, de longe,
quando encosto, ainda em transe,
nas bugigangas daqueles lugares.
Marcos R. B. Lima
segunda-feira, janeiro 24
De um instante de ausências
... Não encontrei nada pronto que pudesse postar agora, mas sinto uma enorme vontade de me dizer. Sinto uma mistura de coisas, uma efusão de sentimentos, uma multidão de palavras a dançar, brincar, lutar, explodir...Vontade de falar sem reticências para amenizar as angústias das interrogações. Escrever para tentar entender a razão de tantos apesares, de tantos ses e talvezes, de tantos quereres; Escrever para tentar elucidar a estranha natureza do bicho homem, a estranha essência do ser gente. Escrever para me dizer, aliviar as sofrências dos exacerbados anseios eternos... inacabáveis... insaciáveis...
Viver é magnífico!
Viver é muito difícil.
Viver é morrer sem respostas... E amar (verbo de ligação) é a única resposta.
Viver é magnífico!
Viver é muito difícil.
Viver é morrer sem respostas... E amar (verbo de ligação) é a única resposta.
domingo, janeiro 23
Das coisas que me dizem
Essa postagem é especial. Na semana passada tive o privilégio de ter sido presenteada com a dedicatória de um poema. Fiquei deslumbrada. Quem ainda não ouviu vai ouvir muito ainda falar de Elis Angela, poeta e contista feirense. Amiga da graduação. Enveredou pela literatura. Caminho bonito... Não me faltando vida e oportunidade estarei eu algum dia, quem sabe, arriscando-me a trilhar essas rotas também. Pois dedicou-me ela esses versos, sob o título deste humilde blog. Muito grata!!!
Para Helitânia
O infinito do mar, do céu, dos campos verdejantes.
O infinito do homem, prisioneiro em suas ideias (in) finitas.
A sonata.
A história mal contada em livro para ser esquecido.
O filósofo que, sem saber o que é filosofar,
ensina-nos como gozar a vida.
E a formiga silente que mordeu o meu dedão.
(viver é doer constantemente)
Elis Ângela F. Ferreira Santos
Para Helitânia
O infinito do mar, do céu, dos campos verdejantes.
O infinito do homem, prisioneiro em suas ideias (in) finitas.
A sonata.
A história mal contada em livro para ser esquecido.
O filósofo que, sem saber o que é filosofar,
ensina-nos como gozar a vida.
E a formiga silente que mordeu o meu dedão.
(viver é doer constantemente)
Elis Ângela F. Ferreira Santos
quarta-feira, janeiro 5
Caçador de mim
Primeira postagem de 2011! Que seja um ano de muita luz!!!
Com essa postagem quero expressar um dos meus mais fortes sentimentos no limiar deste novo ano. Viver é muito perigoso, já dizia Guimarães Rosa. Chego à conclusão de que há uma só solução: viver. A despeito de todas as reflexões, viver. Que em 2011eu adie menos...
Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim
Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão
Com essa postagem quero expressar um dos meus mais fortes sentimentos no limiar deste novo ano. Viver é muito perigoso, já dizia Guimarães Rosa. Chego à conclusão de que há uma só solução: viver. A despeito de todas as reflexões, viver. Que em 2011eu adie menos...
Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim
Luís Carlos Sá e Sérgio Magrão
domingo, dezembro 26
O Natal existe
Pessoal, minhas postagens de natal estão chegando com um certo atraso... mas eu explico. Devido a um incêndio no prédio da Oi, em Salvador, no dia 21, fiquei sem net por uns dias (e sem telefone até hoje). Mas não poderia deixar passar em branco esse momento que tanto me inspira que é o natal. Essa letra é uma das tantas natalinas que dizem coisas muito belas. Adoro.
Quero ver
você não chorar
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz...
Quero ver
o amor vencer
mas se a dor nascer
você resistir e sorrir...
Se você
pode ser assim
tão enorme assim
eu vou crer...
Que o Natal existe
que ninguém é triste
e no mundo há sempre amor...
Bom Natal um Feliz Natal
muito Amor e Paz pra Você
pra você...
Edson Borges
Quero ver
você não chorar
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz...
Quero ver
o amor vencer
mas se a dor nascer
você resistir e sorrir...
Se você
pode ser assim
tão enorme assim
eu vou crer...
Que o Natal existe
que ninguém é triste
e no mundo há sempre amor...
Bom Natal um Feliz Natal
muito Amor e Paz pra Você
pra você...
Edson Borges
Ele está pra chegar
Natal é tempo de ímpar singeleza e ternura. O clima de bonança que infesta a atmosfera dos nossos sentimentos nesta época do ano não vem do acaso. Para os cristãos natal é tempo de rememorar o acontecimento histórico do nascimento de Jesus. É a humanização de um Deus. E, para surpresa dos homens do tempo, Ele não vem de forma triunfal, como seria digno de um rei, mas vem na fragilidade de uma criança; na pobreza de uma manjedoura.
Esta canção nos convida a viver em plenitude esse momento de espera do Homem-Deus. Mas é importante vê-la também como um chamado constante à contemplação dessa luz, dessa força...
Se ilumine na luz das estrelas
Se aqueça nos raios do sol
Se refresque na chuva que cai
Sobre a sua cabeça
Agradeça e respire do ar
Se concentre diante do mar
Se procure e se encontre depressa
Ele está pra chegar
Não se pode negar os sentidos
Tão pouco tapar os ouvidos
Pra fugir das verdades
Que a própria consciência nos diz
Não adianta tentar se esconder
Nem tão pouco querer se enganar
Se procure, se encontre depressa
Ele está pra chegar
Ele está pra chegar
Vista-se no branco desse amor que vem do alto
Busque o céu dos seus pensamentos
Veja que a verdade e as palavras do profeta
Nunca se perderam nos ventos
Pare pra pensar
Pense muito bem
Olhe que esse dia já vem
Pare pra pensar
Pense muito bem
Olhe que esse dia já vem
Pare, pense
Olhe que esse dia já vem (2x)
Muito em breve uma luz vai brilhar
Dessa luz Ele então surgirá
Se materializando ante os olhos
Surpresos do mundo
Não se pode fugir dessa Luz
Dessa força chamada Jesus
Se procure, se encontre depressa
Ele está pra chegar
Ele está pra chegar
Erasmo Carlos/Roberto Carlos
Esta canção nos convida a viver em plenitude esse momento de espera do Homem-Deus. Mas é importante vê-la também como um chamado constante à contemplação dessa luz, dessa força...
Se ilumine na luz das estrelas
Se aqueça nos raios do sol
Se refresque na chuva que cai
Sobre a sua cabeça
Agradeça e respire do ar
Se concentre diante do mar
Se procure e se encontre depressa
Ele está pra chegar
Não se pode negar os sentidos
Tão pouco tapar os ouvidos
Pra fugir das verdades
Que a própria consciência nos diz
Não adianta tentar se esconder
Nem tão pouco querer se enganar
Se procure, se encontre depressa
Ele está pra chegar
Ele está pra chegar
Vista-se no branco desse amor que vem do alto
Busque o céu dos seus pensamentos
Veja que a verdade e as palavras do profeta
Nunca se perderam nos ventos
Pare pra pensar
Pense muito bem
Olhe que esse dia já vem
Pare pra pensar
Pense muito bem
Olhe que esse dia já vem
Pare, pense
Olhe que esse dia já vem (2x)
Muito em breve uma luz vai brilhar
Dessa luz Ele então surgirá
Se materializando ante os olhos
Surpresos do mundo
Não se pode fugir dessa Luz
Dessa força chamada Jesus
Se procure, se encontre depressa
Ele está pra chegar
Ele está pra chegar
Erasmo Carlos/Roberto Carlos
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