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domingo, julho 29
sexta-feira, julho 6
Sobre "perder"
Se existe um verbo que concentra tudo o que de mais nefasto pode existir nesta vida e em todas as vidas possíveis, é o verbo perder.
A experiência de perder faz-nos conhecer os becos mais escuros, os mais inóspitos lugares da alma humana. Existem perdas de variadas dimensões: perde-se o ônibus, perde-se o anel, perde-se a fome, perde-se o voo, perde-se o grande amor, perde-se o emprego, perde-se a saúde, perde-se o bebê, perde-se a calma, perde-se a avó, perde-se o chinelo, perde-se a alegria, perde-se o campeonato, perde-se o sono, perde-se a motivação, perde-se a prova, perde-se o celular, perde-se a esperança. A dor de uma perda pode durar alguns instantes, como quando se perde o chinelo, pode durar uma noite, como quando se perde o sono, pode durar duas semanas, como quando se perde o emprego, ou pode durar a vida inteira, se se perde o sentido.
Há muitas filosofias sobre as perdas, algumas deveras plausíveis. Diz-se que elas favorecem o amadurecimento, criam as condições para futuros ganhos e afinam o indivíduo para os altos e baixos do correr da vida. Não parecem assertivas falsas. No entanto, tão acertada quanto, é a constatação de que, quem menos perde, mais se alegra. Talvez não se trate de uma conta de somar, e sim de uma equação mais complexa, mas ninguém há de negar que dores sobre dores têm o poder de apagar aos pouquinhos as velinhas que formam o candeeiro da alma.
Em outras palavras, arrisco afirmar que uma existência pode ser medida pela frequência e pela intensidade das perdas que experimenta.
E eu nem estou falando da copa.
A experiência de perder faz-nos conhecer os becos mais escuros, os mais inóspitos lugares da alma humana. Existem perdas de variadas dimensões: perde-se o ônibus, perde-se o anel, perde-se a fome, perde-se o voo, perde-se o grande amor, perde-se o emprego, perde-se a saúde, perde-se o bebê, perde-se a calma, perde-se a avó, perde-se o chinelo, perde-se a alegria, perde-se o campeonato, perde-se o sono, perde-se a motivação, perde-se a prova, perde-se o celular, perde-se a esperança. A dor de uma perda pode durar alguns instantes, como quando se perde o chinelo, pode durar uma noite, como quando se perde o sono, pode durar duas semanas, como quando se perde o emprego, ou pode durar a vida inteira, se se perde o sentido.
Há muitas filosofias sobre as perdas, algumas deveras plausíveis. Diz-se que elas favorecem o amadurecimento, criam as condições para futuros ganhos e afinam o indivíduo para os altos e baixos do correr da vida. Não parecem assertivas falsas. No entanto, tão acertada quanto, é a constatação de que, quem menos perde, mais se alegra. Talvez não se trate de uma conta de somar, e sim de uma equação mais complexa, mas ninguém há de negar que dores sobre dores têm o poder de apagar aos pouquinhos as velinhas que formam o candeeiro da alma.
Em outras palavras, arrisco afirmar que uma existência pode ser medida pela frequência e pela intensidade das perdas que experimenta.
E eu nem estou falando da copa.
domingo, junho 24
De estrangeiros e bagagens
Mire-o.
Ei-lo a espreitar a rua, estrangeiro e só. Vigilante dos próprios passos, caminha vacilante: pés cansados, olhos brilhantes, ouvidos atentos. Pergunta informação a nativo transeunte de destino seguro para repousar a bagagem, mas não se fez comunicação - a língua estranha.
Como chegara a terra distante não responde o "sem lugar". Memória tinha, e vestes limpas. Adentra um bar, pessoas risonhas a comer e beber seriam boas informantes, cogitou, Mas, distraídas, sequer notaram a presença do semelhante. "Há, neste solo, sorrisos e amigos", pensou, animando-se, contagiado pelo vivo cenário de celebração da vida. Observa-os por mais alguns instantes e sai, novamente a perambular. Ao longe, um senhor uniformizado espreita, por ofício, o cotidiano da população. Caminha em direção deste, esperançoso. Lê no olhar do senhor de uniforme confusão e desconfiança diante do estranho. Com gestos e mímicas comunica, enfim, ao guarda o seu desejo: lugar seguro para repousar a bagagem. Não respondendo de imediato, quis o guarda saber informação detalhada de procedência sua para lugar distante. Poucos minutos de contato gestual e despediram-se a sorrir com cumprimentos de amistosa familiaridade. Segue o estrangeiro o caminho indicado pelo de uniforme.
Levou algum tempo para entender que fora conduzido a penitenciária com ordem de prisão e tortura. Não mais teria notícias do paradeiro de sua bagagem.
Ei-lo a espreitar a rua, estrangeiro e só. Vigilante dos próprios passos, caminha vacilante: pés cansados, olhos brilhantes, ouvidos atentos. Pergunta informação a nativo transeunte de destino seguro para repousar a bagagem, mas não se fez comunicação - a língua estranha.
Como chegara a terra distante não responde o "sem lugar". Memória tinha, e vestes limpas. Adentra um bar, pessoas risonhas a comer e beber seriam boas informantes, cogitou, Mas, distraídas, sequer notaram a presença do semelhante. "Há, neste solo, sorrisos e amigos", pensou, animando-se, contagiado pelo vivo cenário de celebração da vida. Observa-os por mais alguns instantes e sai, novamente a perambular. Ao longe, um senhor uniformizado espreita, por ofício, o cotidiano da população. Caminha em direção deste, esperançoso. Lê no olhar do senhor de uniforme confusão e desconfiança diante do estranho. Com gestos e mímicas comunica, enfim, ao guarda o seu desejo: lugar seguro para repousar a bagagem. Não respondendo de imediato, quis o guarda saber informação detalhada de procedência sua para lugar distante. Poucos minutos de contato gestual e despediram-se a sorrir com cumprimentos de amistosa familiaridade. Segue o estrangeiro o caminho indicado pelo de uniforme.
Levou algum tempo para entender que fora conduzido a penitenciária com ordem de prisão e tortura. Não mais teria notícias do paradeiro de sua bagagem.
domingo, maio 13
In memoriam
In memoriam o abraço dos segundos domingos de maio. (E dos primeiros, terceiros e todos; sábados e -feiras; outono, julho e verão).
In memoriam o cheiro, a graça, a alegria.
In memoriam a voz, o afeto.
In memoriam o rosto, os cabelos, a cor.
O tato in memoriam
In praesentia, a memória.
quarta-feira, fevereiro 28
Os quintais de cada um
Quando se olha, só se vê seu rosto, inexpressivo ou cansado; seus passos, apressados ou incrédulos; seu olhar, solar ou nublado.
Ninguém pode saber em quais mares deságuam os rios alheios.
Perpétuo silêncio.
Ela ajunta guarnição e víveres. Tece dia e noite: não canta. Planta e rega.
Possui um jardim?
...
No quintal de sua alma, um cemitério de sonhos, mortos tragicamente.
Ninguém pode saber em quais mares deságuam os rios alheios.
Perpétuo silêncio.
Ela ajunta guarnição e víveres. Tece dia e noite: não canta. Planta e rega.
Possui um jardim?
...
No quintal de sua alma, um cemitério de sonhos, mortos tragicamente.
segunda-feira, fevereiro 19
Enterro póstumo
Tinha cheiro de flor viçosa que balança à brisa fresca logo após o rebento. Embelezava as manhãs e enchia de vida as tardes.
Um dia foi colhida para pôr-se ao pé de um defunto. Ali, não perfumou.
Caiu em terra seca por entre pedras. Foi pisada, chutada, atropelada e perdeu algumas pétalas. Amarelou-se, murchou.
Capturada, ganhou um vaso, água e brisa. Entanto, não rebenta. Não embeleza as manhãs, nem enche de vida as tardes.
Aguarda, sem viço, o dia em que lhe joguem terra.
Um dia foi colhida para pôr-se ao pé de um defunto. Ali, não perfumou.
Caiu em terra seca por entre pedras. Foi pisada, chutada, atropelada e perdeu algumas pétalas. Amarelou-se, murchou.
Capturada, ganhou um vaso, água e brisa. Entanto, não rebenta. Não embeleza as manhãs, nem enche de vida as tardes.
Aguarda, sem viço, o dia em que lhe joguem terra.
terça-feira, janeiro 30
Do cansaço
A página igual
iguais as roupas, os pés, os silêncios
desejo rouco,
oco,
pouco?
na mesa, iguais as taças, as cartas, as traças
os sonos e os sonhos - iguais
desigual a medida da
fe -licidade
a trilha da sorte, igual-desigual
o caminho
a hora
a conta
(desiguais)
o suor, as pegadas, a vigília (desiguais)
a conta (desigual)
A conta...
Por favor!
iguais as roupas, os pés, os silêncios
desejo rouco,
oco,
pouco?
na mesa, iguais as taças, as cartas, as traças
os sonos e os sonhos - iguais
desigual a medida da
fe -licidade
a trilha da sorte, igual-desigual
o caminho
a hora
a conta
(desiguais)
o suor, as pegadas, a vigília (desiguais)
a conta (desigual)
A conta...
Por favor!
domingo, maio 14
Feliz filho com mãe!
Segundo domingo de maio e os meus olhos estão cheios de nuvens.
Na minha casa não tem mãe. Não tenho, nem sou. Logo, um domingo quase comum. Estou aqui observando ao redor as homenagens em carros de som, as mensagens nas redes sociais em forma de textos e imagens de mães e filhos como flores para elas, que tanto são essenciais. Observo também mães sendo visitadas por filhos que cumprem nesse dia o ritual de fazer-se presentes para alguns minutos de conversa. Quiçá um abraço ou um presente.
Enquanto observo, a memória traz-me lembranças do cotidiano ao lado da minha inseparável mãe. O mês de maio, sem dúvidas, faz os órfãos de mãe sentirem-se mais órfãos que de costume, porque os corações vermelhos que decoram todos os cantos nos recordam que em nosso ser pulsa doído esse amor essencial que se apartou; esse cordão umbilical doloridamente cortado.
As nuvens dos meus olhos deságuam ao ver o filho abraçar sua mãe. Como que contemplando a mais perfeita das experiências de amor humano; ao alcance da visão, o encontro fundamental, visceral, imortal, com a moldura de um abraço que se chama Felicidade.
Na minha casa não tem mãe. Não tenho, nem sou. Logo, um domingo quase comum. Estou aqui observando ao redor as homenagens em carros de som, as mensagens nas redes sociais em forma de textos e imagens de mães e filhos como flores para elas, que tanto são essenciais. Observo também mães sendo visitadas por filhos que cumprem nesse dia o ritual de fazer-se presentes para alguns minutos de conversa. Quiçá um abraço ou um presente.
Enquanto observo, a memória traz-me lembranças do cotidiano ao lado da minha inseparável mãe. O mês de maio, sem dúvidas, faz os órfãos de mãe sentirem-se mais órfãos que de costume, porque os corações vermelhos que decoram todos os cantos nos recordam que em nosso ser pulsa doído esse amor essencial que se apartou; esse cordão umbilical doloridamente cortado.
As nuvens dos meus olhos deságuam ao ver o filho abraçar sua mãe. Como que contemplando a mais perfeita das experiências de amor humano; ao alcance da visão, o encontro fundamental, visceral, imortal, com a moldura de um abraço que se chama Felicidade.
sexta-feira, janeiro 6
Coisa vinda, seja bem linda.
Neste ano, quero 2017 bons motivos para escrever.
2017 inspirações.
Pelo menos umas 2017 vezes dedicar uns minutos para fazer nada.
E escrever sobre as coisas que o "nada" me trouxer.
Quero páginas limpas e histórias novas.
Seja linda, coisa vinda!
2017 inspirações.
Pelo menos umas 2017 vezes dedicar uns minutos para fazer nada.
E escrever sobre as coisas que o "nada" me trouxer.
Quero páginas limpas e histórias novas.
Seja linda, coisa vinda!
sábado, dezembro 31
Do ano que acaba
Vai-se velho mais um ano.
Semeaduras marcaram a trajetória dos meses idos. Também intensos aprendizados. Foi um tempo de deixar-se cortar, com a esperança de voltar inteira. No cenário nacional, caos. Política e economicamente, as estruturas do Estado Nacional de direito foram abaladas.
O dia de amanhã estará recebendo toda a sorte de boas vibrações, emanadas de diversas partes do globo. Guardador das mais sinceras esperanças, os dias Primeiro de todos os janeiros deveriam emprestar aos outros 364 um pouquinho da alegria que invade os corações, da esperança que faz crer que dias bons podem vir e do abraço que une as pessoas, ainda que de modo casual.
Para 2017 desejo que estejamos com Deus em todos os seus dias. Que queiramos estar na presença Dele, que nos agrade seguir a Sua voz, o Seu ensinamento. Isso sim é garantia de um ano bom.
Que seja em Deus!
Semeaduras marcaram a trajetória dos meses idos. Também intensos aprendizados. Foi um tempo de deixar-se cortar, com a esperança de voltar inteira. No cenário nacional, caos. Política e economicamente, as estruturas do Estado Nacional de direito foram abaladas.
O dia de amanhã estará recebendo toda a sorte de boas vibrações, emanadas de diversas partes do globo. Guardador das mais sinceras esperanças, os dias Primeiro de todos os janeiros deveriam emprestar aos outros 364 um pouquinho da alegria que invade os corações, da esperança que faz crer que dias bons podem vir e do abraço que une as pessoas, ainda que de modo casual.
Para 2017 desejo que estejamos com Deus em todos os seus dias. Que queiramos estar na presença Dele, que nos agrade seguir a Sua voz, o Seu ensinamento. Isso sim é garantia de um ano bom.
Que seja em Deus!
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