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quarta-feira, janeiro 28

F5


"Quando já não tinha espaço pequena fui
Onde a vida me cabia apertada"...



Tava olhando aqui... Esse blog ta cada vez mais parecido com um diário. Mas então, caro hipotético leitor, você não tem nada que reclamar. Já viu o nome do blog? Pois é, então eu faço dele o que eu bem quiser e entender. Até porque, nos nossos tempos (ou quem sabe tenha sido assim em todos os tempos), poucas coisas são assim tão nossas de modo que a gente possa delas fazer o que bem quer e entende. Nem nossas próprias opiniões! Nem nosso cachorro! O meu mesmo odeia ser beijado e abraçado. Fui fazer isso uma vez e foi a única! Não, ele não chegou a morder-me, ele não é louco! E se tivesse mordido iria ficar nisso mesmo. Dois gritos de reclamação e eu que curasse o local lesionado com mertiolate. A propósito, ainda existe mertiolate? E será que é assim que fala? Que nada, isso foi remédio de quando eu era pequena, não deve existir mais. Não tô dizendo com isso que eu seja velha. Claro que não... Ainda estou na casa dos vinte!
Pois bem. Eu dizia que esse blog ta a cara de um diário. E essa postagem é pra fazer jus a isso.

Desde que resolvi apertar a tecla F5 em minha vida, instalou-se uma necessária desorganização interior. Na verdade, a desordem já estava instaurada. O ato de clicar o F5 só fez colocar as coisas todas em movimento, em tremendo reboliço. Aí, as ideias, os conceitos, as crenças, os valores, os hábitos, as pessoas...tudo está posto em julgamento. Algumas, certamente, irão permanecer. As que estiverem melhor alicerçadas. Mas muita coisa vai voar. Essa não é uma operação indolor. Não, não é. Para concretizá-la é necessário boas doses de desapego, coragem, determinação e desejo de mudança. Ativar F5 significa predispor-se a enfrentar as mudanças de enredo quando da alteração da importância das personagens. Sim, é um processo de redefinir prioridades. Sabe aquelas faxinas que você aproveita pra mudar os móveis de lugar? Tira o sofá desse lado, leva a mesa pro centro, prega a televisão no alto.. É assim. E isso causa muito barulho! Incomoda. Arranha o piso da casa. Mas depois, quase sempre fica a sensação de que ganhamos espaço. O sentimento de estreiteza acaba. Experimenta-se certo conforto, logo após o rearranjo das posições.

É o que ocorre com o nosso eu. É árdua e incômoda a tarefa de refazer-se. Machuca, fere, provoca dor... Tudo em nome da recusa ao lugar estreito. E que bom quando recusamos o lugar estreito; que bom quando não nos acostumamos com ele, projetando a falsa ilusão de que se pode viver ali, apesar do aperto. Quer que eu confesse uma coisa? A real é, se hoje um anjo viesse do céu me perguntar se eu preferiria morrer ou continuar vivendo, não tenho dúvidas de que escolheria deixar a matéria. Mas acontece que nenhum anjo veio nem virá me fazer essa pergunta. Logo, a única opção é ficar! Pois então, se é pra viver, vamos viver com classe! Nada de aceitar migalhas nem mendigar misérias nem engolir tudo que quiserem nos empurrar goela abaixo. Se viver é um imperativo, vamos também nós sermos exigentes! Vamos partir para o enfrentamento! Tá achando que é barato estar aqui? Não é não! Pois então... briguemos por espaço! E sejamos tão grandes quanto a amplitude do nosso lugar.

6 comentários:

  1. O problema é com vc, baby! O meu comentário foi!

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  2. Como tinha escrito ontem (e não foi publicado) resolvi tentar hj novamente pela ultima vez... enfim.
    A proposito...
    Mertiolate ainda existe sim, e acredite... com o mesmo nome rsrs'.
    Acho bom vc começar a se familiarizar com "a casa dos trinta".
    E viver sim, com muita Classe, toda que lhe for possível, mas se houver necessidade de descer do salto que assim seja feito, com toda elegância possível para que quando volte a subir nele nunca mais precise descer pelos mesmos motivos!

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  3. E quem te disse que eu tenho trinta???
    Aliás, esse nem é um assunto pra ser discutido publicamente. Paremos por aqui.
    Rs.
    Bjo, baby! Thanks.

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