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quarta-feira, março 18
Pra você, Lenna!
Qual será o critério que a vida utiliza para escolher as pessoas que vão estar do nosso lado nas aventuras mais marcantes, mais significativas, mais inesquecíveis...? Morar numa residência universitária é um experiência inenarrável (para usar um termo bem ao seu gosto). E se engana quem imagina que morar assim é simplesmente compartilhar o mesmo teto. Muito mais que isso, vivemos o desafio contínuo de dividir os poucos quilômetros quadrados de chão, olhar o lado de fora pela mesma janela, adiantar o banho pra dar lugar à outra que vai se atrasar, misturar os calçados e os centavos, emprestar o travesseiro e o ombro, escutar os risos e os soluços, comer na mesma panela de brigadeiro. Quando se vive assim tem-se mais que amizade. A vida em comum cria entre nós uma irmandade. Porque no meio tempo em que estamos cada uma de nós envolvidas com os livros, saberes e sabores dos nossos respectivos cursos, a todo o tempo estamos participando da vida uma da outra. E nos ajudando na busca da cura para as dores de barriga e para as dores de amor.
E como esquecer, Lenamíria, daquele seu despertador que despertava todo mundo menos você... ou do dia em que você resolveu ligar para todos os seus contatos enquanto trovejava forte e eu estremecia debaixo do lençol no canto do alto daquela cama... E pensa que é só isso? O que você me diz de acordar num sábado, na tranquilidade de sua casa, atender o telefone e ouvir a voz do outro lado noticiar que havia ocorrido um incêndio na residência. Sim, um incêndio! parece que não havia vítimas mas os danos materiais foram notáveis. Fiquei assustada! Sobressaltada, tentava fazer todas as perguntas ao mesmo tempo, quando você ri seu riso largo e confessa com toda a naturalidade do mundo: "foi mentira besta, só liguei pra falar com você"...
Mas nenhuma dessas astúcias se compara ao acontecido mais recente. Sabe o que é ouvir de uma amiga que ela está grávida? Nossa! Borboletas fizeram festa no meu estômago com essa notícia tão feliz. Mas Lenna não estava contente com a novidade... Segredou-me, no dia seguinte ao da revelação, que estava a providenciar o aborto. Desesperada quem ficou fui eu com essa possibilidade fatídica. Teria sido rejeitada pelo pai? Havia acontecido algo que ela não quis contar? Era preciso fazer algo para impedir, não seria justo! E juntei-me a Juli para conversarmos com o pai do bebê. Caberia a ele impedir aquela ação. Assim o fizemos. Mas o pai nem sabia da história do bebê. Ate porque o bebê que tanto me alegrou era só mais uma história fictícia...
É, Lenna, são tantas as histórias... Não caberiam num só post. E como toda relação de família, não são só capítulos felizes, provas de amizade e companheirismo. Como toda boa irmandade, birras, desavenças, contrariedades permearam e permeiam a nossa união. Até hoje fico meio triste quando vejo que você não está na minha foto de formatura. Por quê?... Mas tem nada não. Passados cinco anos, você estava na minha defesa de Mestrado! E como você me ajudou naquele dia, viu!...
Pois, o que verdadeiramente importa, é que continuamos nos querendo bem. E quando você some eu pergunto onde você estava, e quando eu não apareço você pergunta se estou bem. Importa mesmo é saber que, embora não mais dividindo o mesmo teto, continuamos participando das dores e delícias de nossas trajetórias. Saiba que estou aqui para vibrar pelas suas conquistas. E que quero sim estar no churrasco na piscina da sua casa, saber do seu novo amor, da sua promoção no emprego, seu carro, seu filho, suas viagens... Que a vida lhe dê muitos motivos para celebrar. Mas se ela não der tantos assim, crie-os! Feliz é quem tem coragem de ser assim.
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Poxa... Demorou mas me fez chorar. AFF, acho que o povo do Buzu ta achando estranho...
ResponderExcluirNem lembrava do incêndio da Resi. Kkkkkkk...E da gravidez, ninguém mandou falar com ninguém. Rsrs
Menina, sabe que não lembro o motivo da falta da sua formatura? Boa pergunta... Mas recompensei no mestrado, outra conquista tua que adorei estar presente.
Amava te irritar e te colocar medo. Rrsr, me sentia o máximo.
Te amo muito, você é o que deveria ser, mas não tenho vontade.
Ooh... rsr.
ResponderExcluirMuito gostoso recordar tudo isso. E perceber que vamos nos constituindo dos pedaços de vivências e que somos um pouquinho de cada pessoa com quem dividimos a vida. A amizade é o modo mais fino de amor. Quando as chuvas da vida desabam, ai de nós se não fossem os amigos... Também te amo, amore!
(Parar pra não começar a chorar)...