Ela estava sentada à beira da linha do trem chorando copiosamente. Não sabia como viveria seus dias com aquela mutilação. Perdera o braço direito num acidente terrível! Antes houvesse perdido a vida, pensava no silencioso abismo de sua solidão. Estava desconsolada e só.
Foi ali, diante da linha do trem, que o benfeitor a viu. Não lhe parecera que a moça estivesse cogitando o suicídio. Apesar da visível desesperança, audível a metros de distância pelos seus soluços cortantes, trazia o rosto sereno. O benfeitor se aproximou da moça oferecendo ajuda. Ela levantou o olhar desconfiado para mirá-lo. O seu aspecto pareceu à moça o de um homem sensato. Olhando distraidamente, até tinha um ar angelical. A moça resistiu até onde teve forças (que não eram tantas) antes de aceitar o auxílio do benfeitor. E ele cuidou dela com muito zelo. Por vezes, sentia que, nele, estava sendo restituído o braço direito que, desafortunadamente, perdera.
Certo dia, quando já se havia apagado todo e qualquer resquício de desconfiança do espírito da moça e ela dormia tranquilamente no regaço que ele amorosamente preparara, o benfeitor aproximou-se, silencioso. Olhou-a, sorriu e, resoluto, de um só golpe, decepou-lhe a mão esquerda.
Aff....
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